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terça-feira, 25 de outubro de 2016

PASSEIO BIKE STUDIO PELO DOURO VINHATEIRO



Costumo dizer em jeito de brincadeira que de segunda a sexta-feira visto a capa de burocrata do funcionalismo público, ao Sábado ando de tractor e ao Domingo meto a mochila às costas e vou por aí fora à descoberta de recantos escondidos.
Podia muito bem ser a pé, mas é em cima da bicicleta que gosto de o fazer.
Se tiver companhia tanto melhor.
Serão muito poucos os locais por onde já passei onde não gostaria de voltar.
E ontem foi dia de regressar aos trilhos que me são familiares.
E, como sempre, com um bom motivo para o fazer: O Carlos Russo lembrou-se de promover uma “voltinha” por estas bandas.

Não se perspectivava um dia muito aceitável para a prática da modalidade pois as previsões apontavam para um dia cinzentão, com alguma chuva e aguaceiros, que não se viriam a confirmar nem constituíram motivo impeditivo para os cerca de 30 praticantes da modalidade, maioritariamente vindos da Covilhã, que de forma convincente responderam afirmativamente ao convite que lhes foi endereçado através das redes sociais.

Do programa constava uma “voltinha” circular com cerca de 80 Km, com um acumulado de subida a rondar os 1 900 m, repartidos por alguns dos locais mais emblemáticos de toda esta extensa área entalada entre os rios Côa, Douro e Águeda, com passagem pela aldeia histórica de Castelo Rodrigo, serras do Reboredo e do S. Marcos, Penha de Águia, Freixeda do Torrão, Algodres, Barca de Alva e Escalhão, dentro dos limites territoriais do concelho de Figueira de Castelo Rodrigo e Almendra, Castelo Melhor, antiga estação de Castelo Melhor (desactivada), bem junto à foz da ribeira de Aguiar, quintas da Granja e da Leda, em pleno coração do Douro superior, concelho de Vila de Foz Côa.

Inicio algo atribulado para alguns, especialmente para o meu “puto mais novo” que viu rebentado o pneu da roda traseira da sua montada, ainda não tínhamos alcançado Castelo Rodrigo. Com alguns cuidados lá conseguiu chegar a Freixeda do Torrão. Depois teve de se socorrer da “assistência remota” para solucionar o problema a tempo de ir ao nosso encontro, em Castelo Melhor.

Ultrapassadas as calçadas medievais de Castelo Rodrigo, escalámos as serras do Reborêdo e do S. Marcos para gozarmos dos vertiginosos trilhos que nos levariam até Penha de Águia e Freixeda do Torrão.
Após Algodres e até Castelo Melhor seguimos por trilho coincidente com a GR do Vale do Côa.
Um pouco antes de Castelo Melhor, a Quinta do Custódio marca a transição da paisagem. O granito cede o lugar ao xisto e a vinha, conjuntamente com a oliveira e a amendoeira, tornam-se dominantes.

Em Castelo Melhor, rodeando o topo do monte, a muralha sobressai e um pouco mais abaixo, extra muros, o casario edificado apresenta-se bem cuidado.

Deixando Castelo Melhor pelo caminho que nos haveria de conduzir até à desactivada estação alcançamos o Douro e a foz da Ribeira de Aguiar.

É a êxtase total.

A Ribeira de Aguiar tem o seu início nas proximidades de Vilar Formoso, concelho de Almeida, que atravessa no sentido sul\norte até entrar no de Figueira C. Rodrigo, num curso que se há-de prolongar por cerca de 45 Km, até desembocar no Douro.

A ponte ferroviária da desactivada linha do Douro, que liga as margens da Ribeira, transporta-nos para a Quinta da Granja (Ferreirinha) e exibe evidentes sinais de degradação mas ainda assim transitável. Impõe apenas algumas cautelas na sua travessia.

A Quinta da Granja, autentico ex-libris do Douro superior é, conjuntamente com a Quinta da Leda, uma das jóias mais cintilantes de todo o Douro superior, propriedade do grupo SOGRAPE desde 2007.
Aqui que se produzem os complexos e míticos vinhos Barca Velha.

A passagem faz-se por entre vinhas, contornando o monte da Calábria, de encontro à estrada que liga Almendra à antiga e desactivada Estação.
Até Barca de Alva a progressão faz-se por largo estradão.
Os últimos 21 Km, que ligam Barca de Alva à sede do concelho, maioritariamente em ascendente, são feitos por trilho coincidente com o da Transportugal, que se prolonga até à Quinta dos Picões.
Após Escalhão seguimos até à ribeira de Aguiar por trilho paralelo à EN 221, que transpomos pela velha ponte romana

O dia velocipédico terminou num restaurante local onde hidratámos e recargámos baterias para a próxima aventura.

São dias como este que eternamente me prendem à bicicleta!

As Imagens são, na sua grande maioria, do Rogério Cunha, Carlos Gabriel e outros ...









 (Castelo Rodrigo)


 (Castelo Rodrigo)


 (Castelo Rodrigo)










 (Freixeda do Torrão - Panorâmica)




(Penha de Águia)


 (Freixeda do Torrão)




(Paragem técnica em Algodres)










(Almendra)






(Ao fundo a Quinta do Custódio e Castelo Melhor)


(Ao fundo Castelo Melhor)


(Castelo Melhor)








(Foz da Ribeira de Aguiar e Quinta da Granja)








(Quinta da Granja)






(Quinta da Leda)







(Barca de Alva)








NOTA: Podem visualizar ou descarregar o TRACK do percurso AQUI


terça-feira, 21 de junho de 2016

NOS TRILHOS DA GRANDE ROTA DO VALE DO COA


Para este Domingo (19 de Junho), véspera do primeiro dia do solestício de Verão, a proposta velocipédica passava por fazer uma revisitação à (já famosa) GRVC - Grande Rota do Vale do Coa, no trecho compreendido entre Cinco Vilas, na área do Município de Figueira de Castelo Rodrigo, até ao seu términos junto ao Museu do Coa.
A fazer fé no TRACK projectado, esperavam-nos cerca de 80 Km com um acumulado ascendente a rondar os 2 100 m.
Apenas eu e o meu "puto" mais novo. Até mais por insistência dele. 
O rapaz andava mortinho por dar uma boa "coça" à sua nova montada!
Alguns cuidados, especialmente ao nível da hidratação, pois sabíamos que desde Cinco Vilas até Algodres não iríamos encontrar um único ponto de água potável.
As previsões meteorológicas apontavam para um dia quente que, efectivamente, constataríamos no terreno. Quando atravessámos a Faia Brava o sol zurrava-nos no dorso na sua forma mais intensa. A temperatura ambiente deveria andar bem acima dos 30 ºC!
Poucos minutos passariam das 8,00 horas quando demos inicio a esta aventura. E que aventura, meus amigos!
Até à aldeia de Reigada limitámo-nos a progredir por trilho paralelo à EN 332 (no sentido Figueira C. Rodrigo\Almeida). Após o que seguimos na direcção de Cinco Vilas até acertarmos com as marcas da GRVC.
Não esperava grandes facilidades no que toca à limpeza do trilho, mas o que viríamos a encontrar ultrapassou em muito o limite do razoável.
E as primeiras dificuldades encontramo-las assim que nos desviámos do alcatrão. Ainda não tínhamos percorrido 500 m e já o feno se enrolava à transmissão das montadas, inviabilizando em muito a progressão.
Dificuldades extremas em chegar ao Açude de Vale de Madeira!
A referência para a volta era a GRVC. Que não seguimos em muitos troços.
Assim, após o açude a opção proposta passava por seguir a calçada romana até à Ribeira das Cabras, bem próximo de Pinhel, prosseguindo depois ao longo da sua margem direita, de encontro à EN 221 que usámos até um pouco depois do cruzamento de Quinta Nova, até localizarmos o estradão que nos haveria de conduzir até ao gerador da mini-hídrica, já na margem esquerda do Coa, bem junto à foz da mencionada Ribeira e dentro das marcas da GRVC.
Mais uma vez viríamos a constatar que havíamos feito uma má opção, pois o percurso apresentar-se-ia muito sujo e de difícil progressão, apenas compensado pela brutal paisagem que nos era oferecida. Mais próximo o vale do Coa e, num horizonte mais afastado, a Serra da Marofa era referência.
A foz da Ribeira das Cabras apresentou-se nos limites do transitável.
Um pouco antes da pausa para o primeiro reforço alimentar, em Faia (julgo ser este o nome daquele aglomerado de casas, localizado a nascente do Azevo), o meu companheiro de viagem detectou um pequeno problema técnico na sua montada. O cabo que comanda o bloqueio da suspensão desprendeu-se e como não transportávamos connosco a ferramenta adequada (chave allen de 2 mm) não conseguimos resolver o incidente.
Não era impeditivo da progressão, apenas a tornava mais desconfortável!
Mesmo assim, decidimos ligar para a "assistência remota" que viria ao nosso encontro à entrada da Faia Brava, já depois de termos transposto o Coa pela Ponte da União (liga o concelho de Figueira de Castelo Rodrigo a Cidadelhe, concelho de Pinhel).
Só que enquanto aguardávamos pela tal assistência demo-nos conta que também o pedaleiro da dita montada estava desapertado.
Não nos restou outra alternativa que não fosse colocar as montadas no "reboque" e seguir até Freixeda do Torrão, onde resolvemos aquelas pequenas avarias.
Aqui ainda o rapaz estava com a moral elevada!
Saindo de Freixeda do Torrão já a pedalar, fomos novamente de encontro à Faia Brava, onde reiniciámos a rota. Aqui alguns desacertos na progressão.
Paragem técnica no "Escondidinho", em Algodres, onde fizemos uma boa hidratação à base de coca-cola.
(Reconheço que não foi a opção mais correcta, mas era o que o corpo pedia!...)
Após Algodres deixámos as marcações da GRVC, flectindo ligeiramente a poente, aproximando-nos de Almendra por variante até à Ribeirinha de Algodres por fabuloso "rock garden", conhecido de outras aventuras.
Chegados à Ribeirinha de Algodres optámos por seguir as marcas vermelhas e brancas da GR pois o trilho estava intervencionado e limpo, do que nos viríamos a arrepender.
Aqui deveríamos ter optado por seguir o TRACK!
Doloroso o atravessamento da Quinta do Custódio, nas proximidades de Castelo Melhor. O trilho apresentou-se lavrado.
Lamentavelmente estas atitudes vão sendo usuais e têm como objectivo deliberado dificultar os acessos à propriedade.
Em Castelo Melhor nova "paragem técnica" num café local (junto à Igreja), onde nos viriam a facultar água bem fresquinha para o que ainda restava da jornada. De tal forma que quando cheguei ao topo da "parede" que liga ao acesso do Museu do Coa ainda transportava comigo alguma dessa água, que me soube pela vida!
Na ponte sobre o Coa, junto à foz, o Pedro "empenou". Só a muito custo e insistência trepou até ao Museu. O que fez contrariado.
Fartou-se de rezingar pois as expectativas para o dia eram altas, defraudadas em primeiro lugar pelos trilhos pouco "ciclaveis" e depois pelas avarias na sua novíssima 29er.
Como é que se consegue explicar a um jovem que as "máquinas" quando são novas necessitam sempre de alguns ajustes e afinações!

Grande dia BTT, com a melhor das companhias!
Como diz o ditado:  Posso ir só e irei muito bem. Em boa companhia, irei melhor, irei além!

P.S. - Em Faia um encontro, de todo, inesperado. Sabia que naquele lugar residia uma única pessoa. Um homem, com o qual nunca me tinha cruzado. O encontro aconteceu no Domingo passado. Bem estão a ver aquelas criaturas pré-históricas que costumamos ver nos filmes de época. Ao vivo e a cores. De meter medo. Desde a barba, de anos, até à indumentária, pelo andar arrastado...
Até a velha cadela, que lhe fazia companhia, me pareceu algo sinistra! ...

Ainda pensei em lhe fazer uma foto. Mas recuei na intenção pois temi reacção pouco amistosa!



Algumas fotos:


(Cruzeiro - Cinco Vilas - S. Julião do Pereiro)


 (Rio Coa - Açude)




 (O famoso açude de Vale de Madeira)


 (Ao fundo as ruínas da ponte romana de Cinco Vilas)


 (EN 221 - Ponte rodoviária sobre a Ribeira das Cabras)


 (Foz da Ribeira das Cabras)


 (Aldeia - Azevo)


 (Esperando pela assistência técnica)


(Varias opções)


(Faia Brava)




(Fonte do Cabeço - Algodres)


(Ribeirinha de Algodres)


(Almendra)


(Alto Douro vinhateiro . Quinta do Custódio e Castelo Melhor)


 (Extracção de xisto - Vila Nova de Foz Coa)


(Orgal)

 (Panorâmica do rio Coa - Acessos e escavações da barragem projectada e não construída)


 (Sobre o Museu do Coa)


Resumo do dia:


A que devem acrescer mais 7 Km, desde Freixeda do Torrão até à Faia Brava.


NOTA: Podem visualizar ou descarregar o TRACK aqui