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terça-feira, 16 de outubro de 2018

Os efeitos do Leslie (De Almeida a Ciudad Rodrigo, pela GR 80)

Costumo dizer em jeito de brincadeira que não faço turismo na minha aldeia.
E, no entanto, há sempre tanto para ver e fazer!
Assisti ao nascimento da GR 80 em Setembro de 2015 e desde então já a repeti não sei quantas vezes.
E sempre que a faço não paro de me surpreender.
E, pelos vistos, não acontece só comigo, pois se assim fosse, no passado Domingo, não se juntaria a mim uma dúzia de “maluquinhos” do pedal.
Há algo de mágico que nos empurra para estes trilhos que percorrem ambos os lados da fronteira.
A meio da semana alguma apreensão pois as previsões meteorológicas não agouravam nada de bom. As mais pessimistas apontavam para a queda de precipitação em consequência da evolução do furacão Leslie, que atingiria território continental sob a forma de depressão pós-tropical.
E efectivamente com a aproximação da tempestade, na noite de Sábado para Domingo, o vento já se fazia sentir de forma intensa e, na manhã de Domingo, o sibilar provocado pelas rajadas mais intensas parecia não constituir um bom indicador e só a muito custo saí de casa, mais até para não defraudar as expectativas do restante pessoal que por mim aguardava em Almeida.
Manhã que viria a exibir-se bastante fria, com o termómetro a apontar para os 10.ºC, muita nébula e vento moderado, gerador de algum desconforto.
Algum cuidado na projecção da rota, eliminando troços mais monótonos que, quanto a mim, mais não pretendem do que adicionar Km ao track.
Pouco passaria das 8,00 horas quando deixámos a praça forte  de Almeida em direcção a Vale de Coelha e à Ribeira dos Tourões (Toirões, na linguagem popular), que serve de linha de fronteira e separa ambos os Países.
O trilho fomos encontrá-lo cuidado e limpo, bem sinalizado e purgado das deficiências que lhe havia apontado em passagens anteriores tais como a colocação de “mata-burros” junto às porteiras fechadas. Não tivemos que abrir ou saltar uma única que fosse, o que não deixa de ser confortável!
A meio caminho a primeira grande surpresa do dia: Um grupo de “bttistas” do “Grupo de BTT El Pedal” que, sabendo da nossa passagem, pelas redes sociais, decidiu esperar-nos e acompanhar-nos até Ciudad Rodrigo, onde nos proporcionaram uma autêntica “visita-guiada” pelo núcleo monumental da cidade, com especial destaque para a passagem pela zona amuralhada que a envolve.
Percorremos a cidade de uma forma como nunca o havíamos feito.
E ainda nos brindaram com uns divinais “bocadillos”, acompanhados de refrescantes “cañas”, como complemento hidratante.
Impossível esquecer!
Ciudad Rodrigo, declarada conjunto Histórico-artístico, é uma velha praça militar fortificada e as suas imponentes muralhas guardam riquíssimo património de edifícios civis e militares, onde se destaca a catedral e a torre de menagem. No exterior sobressai a velha ponte romana sobre o Rio Águeda e o Mosteiro da Caridade, do Sec. XVI.
Tudo merecedor de demorada visita, que não concretizámos, nem íamos para tal.
No final, em Almeida, ainda tentámos um lanche no “Granitus”, pois o amigo Manuel Rodrigues havia-nos presenteado com umas botelhas de syria “Quinta dos Currais”, colheita de 2016, mas fomos simpaticamente informados que tal não seria possível em virtude de a cozinha estar encerrada.

Lá tivemos que "fazer boca" com uns pastéis de bacalhau e uns rissóis!

Feitas as contas, o saldo viria a revelar-se bem positivo e altamente recomendável, tanto para os nativos como para os forasteiros!

Podem visualizar ou descarregar o TRACK aqui

Algumas imagens:






















Reportagem pelo Júlio Canteiro:




terça-feira, 17 de julho de 2018

A Volta do German - 2018

É já uma clássica.
É (apenas) a forma de receber o Pedro Nunes (alemão), durante as suas férias. Ele retribui, oferecendo-nos um almoço\jantar "Made in German" - cerveja e salsichas!
Este ano a rapaziada empolgou-se um pouco impondo a famosa “Ponte dos Franceses”, isto é quis repetir a GR 14.1 – Sendero del Agueda.
Já fiz tantas vezes este trilho que nem tinha previsto dedicar-lhe mais um “post” que fosse, pois nada acrescentaria ao já escrito anteriormente, julgava eu!
A despreocupação foi de tal grandeza que nem sequer me dei trabalho de recarregar a bateria da máquina fotográfica!
Pouco passaria das 8,00 horas quando seguimos o alcatrão, na direcção do Convento de Stª Mª de Aguiar, com passagem por Almofala e Escarigo, aldeias transfronteiriças portuguesas e La Bouza e Puerto Seguro, já do lado Espanhol, onde entraríamos verdadeiramente no trilho da GR 14.1.
A Ponte dos Franceses, imponente, como sempre, com a secular central eléctrica a apresentar-se inactiva, não obstante o rio exibir forte caudal.
Logo após San Felices de los Gallegos costumamos fazer um pequeno troço de calçada, paralelo ao caminho e que não terá mais de 800 m, um pouco técnico, a exigir alguma atenção na condução e onde um descuido, por mais pequeno que seja, ou uma inabilidade, podem provocar uma indesejada aproximação ao tapete. Nesta passagem aconteceu!
Em Ahigal de los Aceiteros a velha calçada constitui sempre motivo para os virtuosos exercitarem a sua destreza. Enquanto os mais afoitos largam os travões e participam, os outros assistem. Espectáculo garantido!
Em Sobradillo paragem técnica para reposição de sólidos e líquidos. É aqui que costumamos “pinchar” e tomar umas “cañas”, que é como quem diz beber umas cervejas e petiscar!
Mas foi também após Sobradillo que sentimos a degradação desta GR 14.1. Onde antes havia passagem viemos agora a encontrar arame farpado.
Quem somos nós para questionar estas situações do direito da propriedade privada e de que lado está a razão. Provavelmente todos terão a sua quota-parte. Quem marcou e que não deveria marcar, sem ter a certeza que o fazia dentro do domínio público ou se os privados que se vão “assenhorando” do que não lhes pertence.
Em futuras passagens bem teremos que progredir pelos alternativos!
O fabuloso troço que liga Hinojosa de Duero a La Fregeneda há muito que deixou de ter qualquer tipo de manutenção. Está a ficar completamente obstruído pelas silvas e pelo mato. Não é mais possível continuar a passar por ali. Conseguimos, mas sentimos extremas dificuldades, de bicicleta no ar, a bater as silvas.
A alternativa é: Após Sobradillo avançar por alcatrão até La Fregeneda e aí entrar novamente no trilho ou então prosseguir até Hinojosa de Duero, direccionar-se à barragem de Saucelle, seguindo as marcações da GR 14.1 até ao seu término, tomando depois a EN 221 até Barca de Alva.
Lamentavelmente sou obrigado a dizer que tenho que abandonar certos caminhos e este é um deles.
Definitivamente a GR 14.1 está a desaparecer. Lá, tal como cá, o desleixo vai-se impondo de forma irreversível!
Ontem, o dia até se apresentou algo fresco para a época do ano. Mas bem depressa as neblinas matinais se dissiparam. De tal forma que quando chegámos a Barca de Alva, animados pelo ensurdecedor canto das cigarras, a temperatura ambiente deveria estar um pouco acima dos 40 ºC.
Se fosse há uns anitos atrás nem constituiria entrave à pedalada e prolongaríamos e percurso até Figueira de Castelo Rodrigo. Sapientemente ligámos para a “assistência técnica” que nos recolheu. Apenas três “lobos da folha” cumpriram o percurso na integra.

São dias como este que, eternamente, me prendem à bicicleta!

Algumas fotos:

























segunda-feira, 13 de março de 2017

GR 14.1 - O prazer da loucura!



Diz-se que de são e de louco todos temos um pouco.
É esta dualidade de pensamentos que nos motiva ao desafio, a correr riscos.
Mentes sãs a necessitar de uma pequena porção de loucura para tornar um dia cinzento num outro, mais colorido.
Vamos p/ mais uma edição da GR 14.1 (Senda del Agueda).
Queremos, sobretudo, sentir o prazer da loucura.
Da “Puente de los Franceses”, das “calles” típicas de Ahigal de los Aceiteros, à soberba paisagem sobre o Douro e Barca de Alva, a chuva miudinha, o vento cieiro na “tromba”!
Ontem foi um pouco assim.
E, no entanto, sinto que a GR 14.1 está a desaparecer.
No ano passado começamos (aqui)  a sentir os primeiros sintomas de degradação e abandono por parte das autoridades responsáveis pela sua manutenção.
A ausência de preservação dos trilhos e a degradação da sinalética sente-se, especialmente, nas áreas territoriais de Sobradillo, Hinojosa de Duero e La Fregeneda.
No sector que liga Sobradillo a Hinojosa de Duero, deparamo-nos com a total destruição do trilho e implantação de vedações e “portaleiras”, que praticamente inviabilizam a progressão.
Mas não é tudo.
As dificuldades voltam a surgir na ligação Hinojosa de Duero\La Fregeneda. 
Aquele brutal “singletrack” que conduz ao famoso viaduto da antiga e desactivada linha férrea, sobre a “Rivera del Froya” está a ficar completamente obstruído por densos silvados que, de forma irreversível, vão tomando conta do trilho.
Lá, como cá, o desleixo e o abandono do património público vai-se constituindo como se de lei se tratasse.

TRACK (aqui
Nota: A amarelo o desvio que se propõe para evitar as vedações e portaleiras
          Em Barca de Alva é proposto um alternativo para os mais bem preparados que queiram evitar o alcatrão









terça-feira, 11 de outubro de 2016

ATÉ CATÓBRIGA PELA VIA DALMÁCIA

Já por aqui tinha andado noutras ocasiões.
No ano passado numa voltinha idealizada pelo João Luis (Clube de Montanhismo da Guarda) e em 2014, de "roda fina" num projecto desenhado pelo Rui Sousa.
A aventura de 2015 viria a desenvolver-se à volta do Xálama e do "Caminho das Minas" que, no dizer do seu "projectista" seria apenas a 1.ª de uma triologia, não concretizada.
Na altura sobrou a muita vontade de calcorrear estes trilhos sem os "constrangimentos" então verificados, adicionando-lhe uma passagem pela Gata.
A falta de consenso quanto a uma data para a sua realização impeliu-me agora para a sua concretização.
Localizada no extremo noroeste da província de Cáceres, separada de Portugal por uma mera linha imaginária, a Serra de Gata, contigua à Reserva Natural da Serra da Malcata, constitui-se como um autêntico paraíso natural, prolongado pelos efeitos do isolamento geográfico a que tem sido votada toda esta região da Estremadura Leonesa.
Neste universo montanhoso predomina o carvalho mediterrânico, o castanheiro, o pinheiro, a oliveira e a azinheira, que nos embalam para os seus profundos vales.
As aldeias medievais, revestidas a ardósia, argila e granito, arejadas por estruturas de madeira de idade avançada, que lhes conferem um certo charme, transpiram história. Até a fala, que mistura termos desde o tempo da Reconquista Galaico-portuguesa com a cultura Asturo-leonesa, me pareceu soar a familiar.
Saindo de El Payo, de encontro à Via Dalmácia (romana), que ligava a antiga Miróbriga (Ciudad Rodrigo) a Catóbriga (Gata) e que seguiríamos num lanço de cerca de 5 Km até alcançarmos a localidade que dá nome a todo este extenso sistema montanhoso.
Impressiona o estado de conservação desta milenária via. E surpreendente foi a dureza da descida, apenas recompensada pela brutal e agreste paisagem. Um teste à resistência física e ao equipamento. A tudo se exigiu muito.
Foram diversas as paragens, quer para descanso, quer para apreciar a soberba paisagem que nos era proposta. Pelo meio alguns fontanários, devidamente identificados e a ermida dedicada a “San Blas”, um autêntico oásis no meio da aridez da montanha.
Bem próximo do casario a “Cruz do Gago” adverte-nos que a Via Dalmácia chega ao fim. Estamos na Gata, o que nos obriga a uma breve paragem para tomar umas “cañas” e a uns minutos de conversa com outros “bttistas” espanhóis que, tal como nós, também por ali pedalavam.
Aqui a grande surpresa acabaria por ser o inesperado bulício humano e o trânsito, algo caótico, pelas estreitas ruas do núcleo antigo.
Este pequeno município, com cerca de 1000 habitantes, transpira história. Os mouros apelidaram-na de Almenara.
A calçada desaparece, fazendo-se substituir por largos estradões, que se viriam a desenvolver entre densas matas de pinheiro, com excepção para um pequeno singletrack, bastante sujo, que nos haveria de conduzir ao rio Acebo, transposto pela “ponte velha”, também ela de matriz romana, antes de prosseguirmos pela estrada antiga até Hoyos.
Hoyos, a exemplo da Gata, com as suas estreitas ruas, forma um conjunto histórico muito compacto, de elevada harmonia.
A calçada (romana???) reaparece, para não mais nos largar.
Embora ciclável o trilho, praticamente todo ele em ascendente, viria a revelar-se de uma dureza extrema.
Alcançar Trevejo foi um alívio!
Trevejo viria a revelar-se uma autentica aldeia-fantasma, com pouco menos de uma vintena de habitantes. Um aglomerado de casas graníticas, onde as ruínas do castelo imperam e pouco mais. Tudo um pouco surreal e inesperado. Até o pequeno bar, onde fomos extremamente bem recebidos, só foi localizado graças ao ruído que vinha do seu interior.
Seguiu-se um troço de asfalto até bem próximo do “Caminho das Minas” onde, uma vez mais, o empedrado se impôs.
À falta de ”pernas” seguiram-se alguns momentos de “empurra-bike”.
Relativamente ao ano passado, a grande diferença residiria na ausência de vegetação, entretanto consumida por violento incêndio, ocorrido já depois da nossa passagem e que viria a deixar a descoberto toda a aridez da área.
Aprazíveis os fontanários que íamos encontrando ao longo do “Caminho das Minas”.
Não percorremos muitos Km. Cerca de 66, onde se incluem as pequenas falhas na leitura do GPS. O acumulado de subida, as calçadas e as inúmeras paragens para desfrutarmos da espectacularidade da paisagem, levaram-nos a concluir o traçado em cerca de 7,30 horas.
A Serra da Gata é um autentico paraíso para a prática de BTT/XCM e este fica, sem qualquer margem para dúvidas, como um dos melhores percursos que já fiz. Como dizia no final o Tó Condesso: Isto deveria ser de passagem obrigatória!


Algumas imagens:





(Via Dalmácia)









 (Gata - panorâmica)


 (Gata - desengaçando as uvas p/ fazer vinho)


(Gata - Rua típica)


 (Espanhóis)








 Rio Acebo - Ponte romana)


 (Rio Acebo - Ponte Nova)


 (Hoyo - panorâmica)







(Trevejo)




 (Jálama - Caminho das Minas)




 (Caminho das Minas)








 (Escombreira)


 (Panorâmica do Caminho das Minas)




(Não éramos os únicos utilizadores do caminho!...)











NOTA: Podem visualizar ou descarregar o TRACK aqui