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segunda-feira, 13 de março de 2017

GR 14.1 - O prazer da loucura!



Diz-se que de são e de louco todos temos um pouco.
É esta dualidade de pensamentos que nos motiva ao desafio, a correr riscos.
Mentes sãs a necessitar de uma pequena porção de loucura para tornar um dia cinzento num outro, mais colorido.
Vamos p/ mais uma edição da GR 14.1 (Senda del Agueda).
Queremos, sobretudo, sentir o prazer da loucura.
Da “Puente de los Franceses”, das “calles” típicas de Ahigal de los Aceiteros, à soberba paisagem sobre o Douro e Barca de Alva, a chuva miudinha, o vento cieiro na “tromba”!
Ontem foi um pouco assim.
E, no entanto, sinto que a GR 14.1 está a desaparecer.
No ano passado começamos (aqui)  a sentir os primeiros sintomas de degradação e abandono por parte das autoridades responsáveis pela sua manutenção.
A ausência de preservação dos trilhos e a degradação da sinalética sente-se, especialmente, nas áreas territoriais de Sobradillo, Hinojosa de Duero e La Fregeneda.
No sector que liga Sobradillo a Hinojosa de Duero, deparamo-nos com a total destruição do trilho e implantação de vedações e “portaleiras”, que praticamente inviabilizam a progressão.
Mas não é tudo.
As dificuldades voltam a surgir na ligação Hinojosa de Duero\La Fregeneda. 
Aquele brutal “singletrack” que conduz ao famoso viaduto da antiga e desactivada linha férrea, sobre a “Rivera del Froya” está a ficar completamente obstruído por densos silvados que, de forma irreversível, vão tomando conta do trilho.
Lá, como cá, o desleixo e o abandono do património público vai-se constituindo como se de lei se tratasse.

TRACK (aqui
Nota: A amarelo o desvio que se propõe para evitar as vedações e portaleiras
          Em Barca de Alva é proposto um alternativo para os mais bem preparados que queiram evitar o alcatrão









sexta-feira, 17 de junho de 2016

PELAS ARRIBAS DO AGUEDA - SENDA DEL AGUEDA\ GR 14.1



Num fim-de-semana prolongado em que o País parou para gozar o sol, uma das sugestões velocipédicas proposta passava pela realização de mais uma edição da GR 14.1 e que seria a primeira do ano.
Não esperávamos grande adesão pois os 90 Km propostos, aliados aos 2100 m de acumulado de subida, são sempre algo intimidantes.
Dos oito participantes apenas o Rui Daniel e o Júlio Canteiro, vindos de Torre de Moncorvo, o iriam percorrer pela 1.ª vez.

Como já vem sendo habitual a ligação Figueira C. Rodrigo\Almofala\Escarigo\La Bouza\Puerto Seguro foi feita por alcatrão, com excepção de dois pequenos troços, imediatamente antes das localidades de Escarigo, ainda em território luso e de Puerto Seguro, já do outro lado da fronteira.
Serão cerca de 23 Km feitos em jeito de aquecimento, percorridos de forma animada e muito descontraída.
Logo após Puerto Seguro o trilho, que faz a ligação a San Felices de los Gallegos, encaminha-se para o “Cañon del Águeda” só transposto pela famosa “Puente de los Franceses” e onde os mais afoitos libertaram as primeiras doses de adrenalina na perigosa descida que lhe dá acesso.
Sobre a ponte a paisagem continua, simplesmente, deslumbrante. A jusante do rio foi possível observar numerosa colónia de grifos que por ali vai nidificando e a montante a pequena central hidroeléctrica, que há mais de 120 anos vai gerando electricidade para estes pequenos aglomerados populacionais, ainda em plena produção mercê do forte caudal do rio, não obstante estarmos em plena época estival.
Este pequeno complexo hidroeléctrico tem a particularidade de ter sido inteiramente projectado e concebido por portugueses, fornecendo energia eléctrica a Escarigo desde os finais do Sec XIX.
Uma vez na ponte tornou-se necessário superar o empinado do caminho para chegar a San Felices de los Gallegos e onde só os mais capazes tecnicamente brilharam. Aos restantes mais não restou do que fazê-la de forma apeada!...
San Felices de los Gallegos transpira de história transfronteiriça que se reflecte nas suas estreitas ruas, que calcorreámos a fim reabastecermos de água fresca na Plaza del Caño.
Já próximo de Sobradillo as ruínas do convento franciscano de Santa Marina de la Seca continuam a sobressair numa imensa tela verde que tem como pano de fundo Castelo Rodrigo e as Serras da Vieira e Marofa e, mais próximas, as arribas do Águeda e a capela de Santo André (Almofala).
Em Sobradillo uma paragem (técnica) para hidratação e degustação de uns “pinchos” e umas “cañas”!
Até Hinojosa de Duero o trilho vai fazendo as delícias da rapaziada. Sem ser muito rigoroso fisicamente exige, no entanto, alguma destreza no controlo da montada.
Um bom teste para as suspensões e pneus!
Em Hinojosa de Duero, como habitualmente, seguimos as marcas da GR 14 – Senda del Duero, em direcção a La Fregeneda, por trilho descendente, extremamente técnico, de encontro à antiga ponte ferroviária sobre a ribeira de Froya (junto à desactivada estação de La Fregeneda) e onde, não raras vezes, vão acontecendo umas quedas, sempre violentas.
Em La Fregeneda seguimos as marcas na direcção de Valicobo (quinta), autentica varanda sobre o Douro português, Barca de Alva e foz do Águeda.
Aqui se produzem muitas fotos de “capa”!
Em Barca de Alva nova paragem p/ hidratação e reposição de energias.
A ligação Barca de Alva\Figueira de castelo Rodrigo foi feita pela EN 221 que, julgo, foi a opção mais sensata pois os termómetros marcavam uns escaldantes 36 ºC e subir até Castelo Rodrigo, pelos Picões seria um autêntico suplicio, evitável.

Faço esta GR desde 2008, sempre irrepreensível quer em marcações, quer em manutenção. Uma referencia.
Desta vez deparámo-nos com um total desleixo e muita degradação.
É certo que o Inverno prolongado e chuvoso tem favorecido um anormal crescimento vegetativo mas isso não pode servir para tudo desculpar. Painéis informativos descuidados, partidos e maltratados, marcações ocultas e semi-destruidas foi o que nos foi dado observar.
A falta de manutenção e limpeza do trilho começa a sentir-se logo na descida para a Ponte dos Franceses e assim se vai mantendo ao longo de todo o trajecto.
O “tramo” entre Hinjosa de Duero e La Fregueneda mais umas semanas fica intransitável, com as silvas e as giestas a tomarem conta do trilho de forma irreversível. A evitar em incursões futuras.

Como alternativa aconselha-se o atravessamento de Hinojosa, seguindo as marcações\sinalética da GR 14.1 até ao seu término, na Barragem de Salto de Saucelle, de encontro à EN 221 prosseguindo depois na direcção de Barca de Alva. O trilho é bastante técnico mas vale bem a deslocação, pois as vistas sobre o vale serão uma soberba recompensa.

Apesar destas pequenas contrariedades é sempre bom fazer uma incursão por estes fabulosos trilhos.

Resumo do dia:
                        +/- 90 Km (extremamente relaxados);
                        Acumulado de subida: +/- 2100 m
                        Acumulado de descida: +/- 2100 m
                        Tempo total: +/- 9,30 horas (com paragens)

Alguma dificuldade em arranjar onde repor a energia perdida. Quase por mero acaso fomos ao unico restaurante que encontramos aberto: "O Dias", onde nos foi servido um "Naco" de vitela que se apresentou DIVINAL. Autentico manjar dos deuses. Se puderem passem por lá. Atendimento simples mas afável e a preços convidativos.

Para aceder ao TRACK do percurso consultem no final de "post(s)" anteriores relacionados com a GR 14.1.


Algumas imagens:




(Atravessando Escarigo)


 (Acesso à Ponte dos Franceses - Puerto Seguro)


 (Ponte dos Franceses)



 (Penando em direcção a San Felices de los Gallegos)


 (Bonsai - Oliveira em miniatura - Museu do Azeite - San Felices de los Gallegos)


 (Atravessando San Felices)



(Rua tipica - Ahigal de los Aceiteros)




 (Chozo - arquitectura tradicional)




 (Tortilla)


 (Sobradillo)









 (Sal e brasa!...)












(Ao fundo Valicobo - Quinta)




 (Foz do Águeda)


 (Pormenor de hidratação - Barca de Alva)




 (Ribeira de Aguiar - Ponte Romana)


 (Términos - Figueira Castelo Rodrigo)


 (Naco de vitela)


(Foto de grupo)


P.S. -  Este espaço tem andado com bastante falta de manutenção, mas não esquecido.
O facto é que não tenho feito percursos merecedores de nota de destaque. Apenas isso.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Pelos Trilhos da GR 14.1 (Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa!)

Pela 2.ª vez no espaço de 15 dias estou a repetir o "Sendero del Agueda".
Depois de um Sábado agreste, todo ele dedicado às lides agrícolas, na limpeza (poda) dos castanheiros, confesso que as sensações para o dia de ontem não eram as melhores: O corpo pedia cama e, como se não bastasse, a manhã não se apresentava nada convidativa à prática da modalidade. A ameaça de chuva, aliada ao vento forte que se fazia sentir, não me impeliam a sair de casa.
Mas tinha-me comprometido e como sabia que o pessoal, vindo da Covilhã, não faltaria ao apelo da "CR BIKE STUDIO" não me restou outra alternativa que não fosse equipar-me!...
Não obstante a instabilidade meteorológica o que é certo é que à hora marcada compareceram nove praticantes, dos quais seis vindos directamente da Covilhã, que se viriam a revelar excelentes companheiros!
Como ultimamente temos feito esta fabulosa rota em circulo, isto é iniciando e terminando em Figueira de Castelo Rodrigo, temos optado por seguir por asfalto até Puerto Seguro (Espanha), onde entramos no trilho que dá acesso à "Puente de los Franceses", sobre o rio Águeda.
São cerca de 22 Km algo monótonos, reconheço, mas é uma forma de pouparmos algum tempo nestes ainda curtos dias de Inverno.
Ontem, curiosamente, ninguém se apresentou de câmara de filmar nem de outros "gadgets" tão em voga e o Rogério Cunha foi o único que mostrou interesse em fazer algumas fotos.
Esta rapaziada veio "apenas" para pedalar!
Como eu costumo dizer, isto nunca é igual.
Cuidados redobrados na descida para a Ponte dos Franceses pois o piso apresentou-se extremamente escorregadio mercê da chuva  miudinha "molha tolos" que teimava em cair. E a subida, em direcção a San Felices, acabaria por ser feita de forma apeada para todos (ou quase) pelo mesmo motivo.
Visita abortada ao "Lagar del Mudo", em San Felices de los Gallegos devido a sobrelotação de visitantes daquele espaço museológico. Surpreendente e inédito!
Desta vez limitámo-nos a atravessar Ahigal de los Aceiteros sem que alguém tivesse o atrevimento de experimentar a adrenalina das suas típicas ruas. Foi passar e andar!
A grande novidade do dia acabariam por ser os reforços alimentares que o Carlos Russo, em colaboração com a Cátia,  nos proporcionou quer em Sobradilho quer em Barca de Alva.
Diria até que foram os momentos altos do dia.
A partir de Sobradilho as condições meteorológicas viriam a alterar-se significativamente: A chuvinha "molha tolos" desapareceu, a temperatura ambiente subiu um pouco e o vento, até aqui um adversário, se transformou num aliado e assim haveria de continuar até Figueira.
Ainda deu para transpirar, especialmente nos últimos 21 Km, desde Barca de Alva e até Figueira.
Depois do reconfortante banho o resto da tarde passámo-la em amena cavaqueira no "Zé do Canto", onde nos foi preparado um lanche "à maneira"!
Um público agradecimento ao Município de Figueira de Castelo Rodrigo que nos vem facultando os excelentes balneários do "Pavilhão dos Desportos" onde são disponibilizados reconfortantes banhos a todos quantos nos visitam. Agradecimento extensível também ao encarregado (José Moutinho) por aquela infraestrutura que com toda a simpatia do mundo os sabe acolher. Há coisas que não têm preço!
 Como alguém dizia enquanto olhava para o tempo que fazia, ainda antes de iniciarmos esta ronda: Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa!
Nada mais verdadeiro!
Acompanhar esta malta não se revelou tarefa fácil, especialmente em ascendente. Valeu-me a boa vontade de todos eles, excelentes trepadores, que no final de cada subida, de forma paciente, esperavam cá pelo "velhote"!
Em jeito de resumo direi que fizemos 90 Km de intenso XCM, com um acumulado de subida a rondar os 2200 m.

Os heróis do dia foram:

Carlos Gonçalves
Carlos Russo
Pedro Tondela
Vergilio Fonseca
Rogério Cunha
José Ângelo Silva
Sérgio Madeira
Luís Pedro Cordeiro
Élio Simões (Que apenas nos fez companhia até à Ponte dos Franceses)


P.S. Tão cedo não irei aqui inserir  um "post" sobre a GR 14.1. Por agora basta!





Algumas imagens que "roubei" ao Rogério Cunha: