A vontade de ir até à Serra, (da Estrela) aproveitando as condições que oferece nestes dias, era muita.
Um "post" partilhado na minha página do Facebook e um comentário do Carlos Gabriel, foi tudo quanto bastou para despoletar tal "apetite"!
O percurso, há muito seleccionado, apenas aguardava vez e o dia certo para a sua concretização.
Da Covilhã em direcção ao Alto de S. Gião, com passagem pela fonte dos Amieiros, Verdelhos, Poço do Inferno, Nave de Santo António e Torre.
Um pouco antes das 7,45 horas já o Carlos Gabriel, vindo de Vila Nova de Foz Coa, estava plantado à porta da minha casa para carregar a bike.
À saída de Figueira a manhã cinzenta e fria ainda viria a gerar alguma apreensão, pois não condizia com a previsões meteorológicas. O que é certo é que quando chegámos à Covilhã o sol raiava e convidava a um bom passeio.
A pressa de calcorrear estes trilhos era muita.
Um pouco antes das 9,00 horas já estávamos na Covilhã, onde se juntaria a nós o Carlos Russo, que apenas nos iria acompanhar até à Fonte dos Amieiros pois compromissos assumidos impossibilitavam-no de nos acompanhar.
O trajecto previamente definido já havia sido percorrido noutras ocasiões pelo que seria sempre de prever alterações dependendo, em parte, da nossa vontade e das condições do piso.
E assim viria a acontecer. A ideia inicial passava por seguir o asfalto da EM 501 até ao Alto de S. Gião. Porém o Carlos Russo sugeriu um alternativo, que seguimos até até à Fonte dos Amieiros.
Feita a "selfie" da praxe inverteu a marcha e nós prosseguimos com a nossa aventura.
E que aventura!...
De Verdelhos até à Torre serão cerca de 30 Km, sempre em plano inclinado ascendente e onde teríamos que lutar contra um acumulado de subida a rondar 1 500 m. Algum respeito mas nada que intimidasse os "atletas"!.
De vez em quando lá íamos olhando para trás, de forma a poder apreciar todo o vale da Ribeira de Beijame que ia ficando cada vez mais longínquo na exacta medida em que nos aproximávamos do Poço do Inferno onde, para grande surpresa, não havia vestígios de neve.
O objectivo seguinte passava por atingir o planalto onde está localizada a Lagoa Seca, paralelo ao Vale Glaciar do Zêzere e a sul deste. E foi exactamente a partir do Poço do Inferno que a paisagem se começou a alterar, com o surgimento das primeiras "ilhas" de neve.
A paisagem alterou-se de tal forma que quando chegámos à Lagoa Seca a neve era continua e assim haveria de continuar até à Nave de Santo António.
Êxtase total.
Palavras para quê.
Tínhamos aquilo tudo só para nós.
A condução das bicicletas tornava-se divertida e, ao mesmo tempo, extremamente exigente para as pernas.
Pedalar na neve é, um pouco, como pedalar sobre lama. Há que procurar a mudança certa, nem muito leve nem muito pesada e ... força nas pernas.
Depois dos desequilíbrios iniciais ... foi a pura da loucura!
Na Lagoa Seca uma "expedição" de veículos TT viria a envergonhar a nossa "festa"!
Quais criancinhas crescidas!
Brincadeiras e fotos fizeram com que "apenas" chegássemos à Nave de Santo António faltariam poucos minutos para as 16,00 horas.
Aqui o Carlos Gabriel viria a tomar a opção mais sensata: Seguiu directamente para a Covilhã enquanto eu me enchi de coragem e ainda trepei até à Torre.
Do que me viria a arrepender pois aqueles cinco Km (desde a Nave de Santo António à Torre) nada mais acrescentariam ao objectivo proposto a não ser o frio intenso com que tive de me debater no sentido descendente.
Uma pequena mensagem para os eventuais "aventureiros":
A vivência destas "expedições" é sempre susceptível de algum risco.
Tenham o maior dos respeitos pela Serra. Aquilo nem sempre é o que parece. Se se aventurarem por lá tenham sempre isto em conta: Respeitem-na.
Seleccionem o percurso mais adequado à vossa condição física.
Procurem ter a certeza das condições meteorológicas que vão encontrar. Em caso de dúvida adiem o passeio, pois um dia que se quer bem passado pode tornar-se num autentico pesadelo.
Nunca avancem sozinhos. Sempre em grupo e de preferência com quem tenha algum conhecimento dos trilhos a percorrer.
Lembrem-se que os telemóveis, na Serra, nem sempre têm rede.
Transportem sempre na mochila mais alimentos do que aqueles que julgam necessários. Solidos de preferencia.
Um corta-vento também deve ser obrigatóriamente incluido na mochila.
Não abusem do esforço. Adequem-no à condição fisica. É preferivel chegarem ao final e sentirem que ainda têm "pilhas" para mais uns bons Km do que necessitarem delas e já não aguentarem a carga!
Resumo do dia:
Algumas fotos:
(Na Covilhã, junto à "Bikestudio")
(Selfie junto à Fonte dos Amieiros)
(Sarzedo)
(Ao fundo Verdelhos)
(No Poço do Inferno)
(Nave de Santo António)
(Cântaro Magro)
(Torre)
Um video elaborado pelo Carlos Gabriel:
Nota: Podem visualizar ou descarregar o TRACK aqui
Esteve agendada como sendo mais uma edição da já "clássica" Guarda\Mondeguinho\Guarda, que temos feito, com elevado sucesso, nos últimos três anos, mas que acabou por se transformar na repetição de uma "voltinha" que fizemos no ano passado e que consistiu na ligação Covilhã\Verdelhos\Poço do Inferno\Torre e que viria dar origem a uma crónica que pode ser visualizada aqui.
Na repetição desta "voltinha" estiveram presentes os mesmos do ano passado, a quem se juntou o Pedro Nunes (alemão) e o David Paredes, que fizeram o seu baptismo "bttistisco" até ao ponto mais alto de Portugal continental.
Voltinha em tudo idêntica à feita no ano passado, com excepção da descida da Torre até à Covilhã que, mercê do engano do Luís (Chapeiro), foi feita na sua totalidade por alcatrão.
O que acabou mesmo por ser relevante foram as dificuldades, de "última hora" com que nos deparámos no reboque que haveria de transportar as nossas "montadas".
Como apresentava algumas "mazelas" tive necessidade de o levar até ao serralheiro.
Solucionado aquele pequeno problema mecânico aparentemente tudo o resto estava perfeito.
Como éramos seis praticantes tentámos fazer a coisa de forma a evitar a deslocação de mais do que uma viatura de apoio. A solução adequada passaria pela utilização da carrinha do Pedro Nunes.
De véspera foi colocado um suporte no tejadilho e carregadas as bikes no reboque, que engatámos na carrinha, de forma a deixar tudo certinho para o dia seguinte. E aqui é que começam os problemas. E que problemas: O teste das luzes do reboque viria a resultar num curto circuito no sistema de luzes da carrinha. Imaginem isto pelas 23,30 horas.
Com deslocações sucessivas a casa de uns e de outros lá se conseguiu arranjar um fusível compatível.
Julgando nós que a origem do problemas estava na carrinha do Pedro e dado do adiantado da hora, decidimos engatar o reboque no meu carro. Teste de luzes e mais ... um curto circuito, agora no meu carro.
Avaria solucionada e necessidade de rever a ligação eléctrica do reboque, que era afinal onde residia o problema.
Pôr suporte, retirar suporte, recolocar suporte, engatar reboque, desengatar reboque e voltar a engatar reboque o certo é que já passaria das 2,00 H da matina quando demos por findas as operações.
Quanto à voltinha:
As maluqueiras do costume.
Uns com mais pedalada ... outros mais lentos.
As mesmas "loucuras" no Poço do Inferno, que este ano encontrámos com muito pouca (e suja) água.
As soberbas e únicas paisagens da Serra da Estrela e a melhor água ... do mundo, em especial para a que brota do fontanário que está localizado na Nave de Santo António.
O grande obstáculo do dia acabou mesmo por ser o frio intenso e o vento forte acompanhado de cerrado nevoeiro que sentimos na ligação à Torre, depois da Nave de Santo António e que tão cedo alguns não irão esquecer.
Na descida lá tivemos que nos "embrulhar" em folhas de jornal.
Ficam algumas imagens.
(Preparativos da saída na Covilhã)
(Em direcção ao alto de S. Gião)
(Em direcção aos "Amieiros")
(Na PR 3 CVL - Fragas, com Verdelhos lá ao fundo)
(Atravessando Verdelhos, já nos domínios do PNSE)
(Trepando em direcção ao Poço do Inferno)
(Para trás ficava Verdelhos, ao fundo)
(Chegando ao Poço do Inferno, para espanto da acidental turista)
(No Poço do Inferno as "maluqueiras" do costume!)
(No Poço do Inferno)
(A Rega do Luís)
(Em direcção à Nave de Santo António, com o vale glaciar do Zêzere à nossa direita)
(Vale glaciar do Zêzere, com Manteigas lá bem ao fundo)
(A foto possível, na Torre, junto ao "cogumelo" da GNR)
Voltinha idealizada pelo "Ninja" e que foi do melhor que tenho feito ultimamente.
Voltinha que me trouxe à memoria uma outra inesquecível que fiz à uns bons anos atrás com o Zé Carlos, Zé Luís e Zé António (no tempo em que ainda andava de bicicleta). Nessa volta, idealizada pelo Zé Carlos saímos de Valhelhas, atravessámos o Zezere pela velha Ponte Filipina, progredindo pela margem direita do rio em sentido da nascente até Sarzedo, alto de S. Gião, Verdelhos, Poço do Inferno, subindo depois até bem perto da Lagoa Seca (até à casa\abrigo de um amigo que não estava) onde invertemos o sentido, vindo a "desembocar" em Vale da Amoreira e daí, por alcatrão até Valhelhas, onde comemos uns peixinhos do rio e outras iguarias acompanhados por umas "bejecas" num café à beira da E.N., que liga a Belmonte, logo após o cruzamento que nos indica a Guarda e que viríamos a pagar com língua de palmo.
Ou uma outra hilariante (que de hilariante teve pouco) efectuada em 15 de Julho de 2007 com o Oliveira, Nuno, Zé Luís e Eduardo, que viria a dar origem a uma pequena crónica que deixarei no final deste "post".
Mas isto são "estorias" passadas.
Quanto à volta de ontem devo confessar que não estava lá muito entusiasmado, mas reconheço que valeu cada gota de suor largada (e foram muitas).
Companheirismo e camaradagem do melhor.
Ontem (sábado) largámos os lençóis bem cedo, pois zarpámos em direcção à Covilhã pouco passaria das 6,00 horas. Um pouco antes das 8,00 horas já pedalávamos em direcção ao Teixoso, pela E.N. 232, até ao alto de S. Gião, onde entrámos no trilho que nos levaria até à Fonte dos Amieiros e daí até Verdelhos por trilho descendente e algo exigente para as montadas. Descida marcada como PR, com muita pedra solta, a exigir muito das suspensões.
Em Verdelhos aproveitámos para a primeira "bucha" do dia, logo após a casa do guarda (que actualmente funciona como sede do clube de caça local) transpirando, depois, por largos Km até alcançar o Poço do Inferno, onde fizemos uma boa sessão de "crioterapia".
(Preparando as montadas, na Covilhã)
(Em direcção à Fonte dos Amieiros)
(Reabastecendo na Fonte dos Amieiros)
(Descendo em direcção a Verdelhos)
(Descendo em direcção a Verdelhos)
(Verdelhos)
(Subindo em direcção ao Poço do Inferno)
(Apontando na direcção do Poço do Inferno!... Já tínhamos passado no monte ao fundo)
(A caminho do Poço do Inferno)
(No Poço do Inferno)
(Poço do Inferno)
(Lava pés no Poço do Inferno!... Todos experimentámos)
(Sessão de crioterapia!...)
Após a sessão de crioterapia no Poço do inferno e como que adivinhando o que estava a seguir foi trepar a bem trepar em direcção ao Covão da Metade, onde bem perto da Lagoa Seca encontrámos um casal de dinamarqueses que lanchava à beira de um tanque e com quem mantivemos conversação por alguns minutos, tendo eu e o Luís aproveitado para fazer uma nova sessão de "crioterapia" metendo o pezinho no tanque.
(O casal de dinamarqueses pedestrianistas)
(Em direcção ao Covão da Metade com o maciço do vale glaciar do Zêzere ao fundo)
(Pormenor da soberba paisagem do vale glaciar do Zêzere)
(O vale glaciar do Zêzere com Manteigas ao fundo)
(O Covão da Metade ao fundo)
O trilho progrediu até à Nave de Santo António, onde reabastecemos de água num fontanário que eu desconhecia existir e que, quase de certeza, tem a água mais fresca de toda a Serra e onde aproveitámos para "virar" mais uma "sandocha" de presunto.
A partir daqui a progressão fez-se por alcatrão até à Torre, onde, logo no inicio, o "Ninja" rebentou a corrente, que prontamente consertou.
Pelo meio ainda encontramos uns parolos de Aveiro, primeiro um depois outro, que se deslocavam em bicicletas de estrada, o último com multi furos na roda da frente.
Ainda tentámos ajudar mas não deu, porque o pneu era assim como que uma espécie de "tubless", com material anti-furo ...
Bem teve que esperar pelo companheiro que foi à Covilhã à procura de material adequado para solucionar a situação.
(Reabastecendo de água na Nave de Santo António)
(Pormenor da paisagem na Nave de Santo António)
(Apreciando a paisagem, à beira da estrada que nos levaria até à Torre)
(A mesma barragem agora visualizada em plano superior, com Unhais da Serra ao fundo)
(Imponente Imagem onde é possível visualizar o caminho que nos traria desde o Poço do Inferno até à Nave de Santo António)
(a Serra com toda a sua imponência)
(o céu é o limite!...)
(Aconchegando o estômago com umas bebidas frescas)
Depois de confortado o estômago e antes de iniciar a descida, de regresso à Covilhã, a rapaziada ainda quis ensaiar a pista de "ski" que estava "fora de serviço" e bastante descuidada, a denotar algum desleixo, e onde se pastoreava um rebanho de cabras.
(Preparando-se para fazer um pouco da pista de ski)
(Cabras na pista!...)
(Rebanho de vacas do outro lado da pista)
Na descida, após a passagem pelas Penhas Douradas e um pouco antes do antigo sanatório deixámos a E.N. 339, flectindo ligeiramente a poente (para os lados de Unhais da Serra) onde acertámos com trilho descendente que nos levaria de volta à Covilhã e de onde se tinha vista privilegiada sobre toda a cova da beira.
Eram cerca das 16,15 quando chegámos à Covilhã.
(Ainda há pastores)
(Vista privilegiada da cova de beira)
(Descendo em direcção à Covilhã)
(Na esplanada onde fomos muito mal atendidos)
Os carunchos do dia foram:
Carlos Gonçalves
Luís Santos (Chapeiro)
Pedro Tondela
Carlos Russo (Ninja)
Resumo do dia:
Distancia percorrida: 82,3 Km
Velocidade média: 13 Km/h
Acumulado ascendente: 2498 m
Acumulado descendente: 2492 m
Para aqueles que tiverem pachorra e tal como referi no inicio deste "Post" deixo uma pequena crónica sobre a minha primeira subida à Torre no dia 15 de Julho de 2007:
"Figueira de Castelo Rodrigo, 17 de Julho de 2007
Na sexta-feira passada, dia 12 de Julho, após convite da CAP, decidi deslocar-me à Guarda a fim de participar numa sessão de apresentação do novo serviço “Visto by CAP”, que teve lugar no NERGA e que mais não era do que a apresentação de um serviço de consultadoria na área de segurança alimentar, nomeadamente na aplicação dos princípios de análise de perigos e do controlo dos pontos críticos, mais conhecido pela sigla HACCP.
A sessão de apresentação, agendada para as 14,30 Horas, começou um nada atrasada e para minha surpresa durou um pouco mais de uma hora.
Juntando o útil ao agradável aproveitei a deslocação para deixar a minha bike no Pirry, para uma breve revisão, nomeadamente ao cubo da roda de trás que já vinha denunciando alguma fadiga.
Como tempo era coisa que não faltava, aproveitei e ainda fui à FIAT encomendar uns “chuventos” para o Panda.
No Pirry, dei de caras com a bike do Nuno meia desmanchada pois não tinha nem roda nem suspensão.
Como a revisão da minha bike ainda estava bastante atrasada aproveitei para “lavar” a vista na montra.
Entretanto fala-se no diabo e…como que por artes mágicas encaro com o Nuno mesmo atrás de mim. Blá, blá, blá e eis que me desafia a alinhar numa subida à Torre (Serra da Estrela) saindo de Valhelhas, atravessando Manteigas, por alcatrão, até lá cima, fazendo, depois, o sentido descendente por terra, pelo Poço do Inferno, até ao local de partida. Proposta deveras aliciante para ser desperdiçada. No Sábado à noite liguei-lhe a confirmar a minha presença bem como combinar o local de encontro. Domingo, pelas 6,00 da matina toca a despertar e … ala que se faz tarde. Um pouco antes das 7,00 já estava na Guarda. Aguardei uns breves minutos dentro do carro pois logo de seguida apareceu o Zé Luís e depois, um nada atrasados, os restantes: O Nuno, Oliveira e o Eduardo. E aí vão eles até Valhelhas…
Confesso que quando saí de casa senti alguma apreensão pois de quando em quando deparava-me com alguns “bancos” de nevoeiro, mas como estamos em Julho…neblina matinal intuía eu…errado como mais adiante se verá.
Chegámos a Valhelhas deveria faltar um quarto de hora para as 9,00. A temperatura andava dentro dos valores para a época…
Bicicletas fora dos suportes, bronzeador nas partes do corpo expostas aos raios UV…não fosse do diabo tecê-las e, lá vão eles em direcção à Serra.
Até Manteigas seguimos em grupo e amena cavaqueira. A subida estava a ser feita a bom ritmo com excepção do Oliveira que bem cedo começou a acusar a falta de ritmo e o sacrificado lá teve que ser o Nuno.
Um pouco antes do Covão d’Metade os três da frente fizemos uma pausa para retemperar forças e tirar uma “bucha” que é como quem diz comer alguma coisa. Não demoramos mais do que uns breves minutos pois o Eduardo começou a sentir os primeiros arrepios (frios, diga-se). Entretanto contactamos o duo atrasado e combinamos encontro junto ao Centro de Limpeza de Neve.
A partir do Covão d’Metade começa a surgir um nevoeiro persistente e um vento, que enquanto nos batia nas costas era um aliado, mas que a partir de certa altura, quando nos começou a fustigar pela frente, se tornou um autentico inimigo. Mas a vontade de chegar lá a cima era enorme…
À medida que subíamos as condições climatéricas iam-se agravando de forma vertiginosa, a tal ponto que, uma vez chegados ao Centro de Limpeza de Neve, o Eduardo e o Zé Luís decidiram não subir mais.
Novo contacto telefónico com o Nuno, desnecessário pois passados alguns minutos, para nossa surpresa, apareceu sozinho…tinha largado o Oliveira!...
Entre muito vento, muito nevoeiro, alguma chuva, muitas hesitações e sei lá que mais…eu e o Nuno decidimos seguir… em frente.
Afinal era para o que vínhamos!
O Eduardo e o Zé Luís inverteram a marcha…
Ainda abordei um “montanhista”, que me pareceu vir do topo da serra e que só a muito custo abriu a janela do carro, a quem perguntei como é que estava o tempo lá por cima.
De imediato fui informado que não vinha da Torre. No entanto, após uma breve troca de impressões, lá nos foi dizendo o que era óbvio: Que o tempo estava horrível. A quem o dizia!
Mas o olho clínico do Nuno não deixou quaisquer dúvidas:
- Não reparastes que na chapa de matrícula estava escrito Algés?
Palavras para quê!
Confesso que nesta altura do campeonato senti algum receio em seguir até lá cima, mas as palavras, encorajadoras e bem humoradas do Nuno, deram-me uma motivação extra e…toca a dar ao pedal…
Um pouco antes de chegar ao túnel o tempo melhorou consideravelmente e chegamos mesmo a ver a cor ao sol, ainda que por breves instantes, o que, diga-se, nos deu um novo alento. Mas foi sol de pouca dura!...
Depois foi de loucos: nevoeiro completamente cerrado, não se via um palmo à frente do nariz…o vento era às rajadas e a chuva acompanhava-nos de forma persistente. Ainda nos cruzamos com um grupo de caminheiros, que fazia o percurso no sentido inverso ao nosso, que só aos gritos se conseguia manter em contacto.
A partir de certa altura, confesso que perdi a noção do tempo e da distância.
A muito custo lá conseguimos chegar à Torre. Exaustos mas eufóricos. Ali chegados eis-nos a correr em direcção às lojas de artesanato. A sede… e o apetite apertavam: Duas sanduíches de presunto e outras tantas de queijo, acompanhadas de outras tantas imperiais foram suficientes para acalmar o nosso ímpeto!...
O caricato da situação: Uma vez nas lojas era ver os lojistas sempre solícitos a tentarem-nos impingir quer queijo quer presunto… (que segundo a minha versão teríamos de carregar talvez pendurados ao pescoço…hilariante como se pode imaginar).
Com aquele espírito de boa disposição nem demos pelo passar dos minutos, mas a verdade é que deveremos ter ocupado cerca de meia hora ou talvez um pouco mais.
Encetada a descida e depois de percorridos cerca de 500 metros eis que, para minha total surpresa, aparece o Oliveira completamente exausto e cheio de … apetite (pois fome é uma carência alimentar)!
Lá tivemos que inverter novamente a marcha e fazer-lhe companhia …
Depois de reconfortado o corpo, eis a grande preocupação do Oliveira: Como descer com aquele “briol”? Ainda tentou encontrar um corta-vento junto dos lojistas …mas, depois de muito bajular, o melhor que conseguiu foram algumas folhas de jornal!...
A descida foi feita a uma velocidade vertiginosa. Tanto que com alguma facilidade “dobrávamos” os passeantes de automóvel…
Tal como constava do guião do passeio, decidimos ir até ao Poço do Inferno, aproveitando um estradão de terra, seguindo uma placa identificativa que encontramos à beira da estrada.
Nesta fase do percurso achei extrema piada ao Nuno pois, aparentemente estava-se a comportar como se estivesse farto de bater aqueles trilhos quando na realidade, tal como nós, era a primeira vez que por ali se “passeava”. E eu fui-me apercebendo disso pois a cada cruzamento as hesitações dele eram mais que muitas. A dada altura consegui mesmo identificar parte de um trilho, por onde já tinha andando num passeio anterior (espectacular a todos os níveis e cheio de peripécias, que por serem irrepetíveis não irei esquecer), que ia precisamente dar ao Poço do Inferno e que era pura adrenalina… enquanto que o Nuno pretendia seguir pelo asfalto que surgiu sabe-se lá vindo de onde!
Afinal era eu que estava no caminho certo, como veio a reconhecer mais tarde.
Hilariante foi também a preocupação do Oliveira com um hipotético sobreaquecimento dos travões…
Uma vez chegados ao Poço do Inferno, que por sinal o Oliveira não conhecia, tínhamos duas alternativas: Ou seguíamos por alcatrão até Manteigas ou invertíamos a marcha, por terra, até Vale da Amoreira.