quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Tripas e ovos moles!

Este país à beira mar plantado, tem cerca de 943 Km de costa, na sua grande maioria, para mim completamente desconhecida!

A leitura avulsa de artigos sobre lazer em algumas revistas da especialidade também terão contribuído para me aguçar o apetite e arquitectar esta “voltinha” pela nossa costa atlântica!

O percurso, há muito idealizado, acompanhou o oceano, num traçado plano, maioritariamente por ciclovia e que se viria a revelar um deleite para os sentidos.
A insólita capela do Senhor da Pedra, na praia com o mesmo nome, construída sob grande rochedo, que forma uma ilha quando a maré está cheia, de visita obrigatória.
Os passadiços da barrinha de Esmoriz, que faz parte da rede Natura 2000, transportaram-nos, ao longo de cerca de 8 Km, através de um percurso circular em volta da Lagoa de Paramos, por peculiares pontes e passadeiras de madeira de onde podemos observar centenas de patos em constantes mergulhos, completamente indiferentes à nossa passagem.
Depois de Esmoriz, o percurso correu, através de ciclovia, paralelo à EN, em plena Mata Nacional, onde o mar se perdeu de vista e que se haveria de estender até ao Furadouro e se viria a revelar um regalo para os olhos.
O itinerário prolongar-se-ia até à Reserva Natural das Dunas de S. Jacinto, um espaço natural protegido, numa experiência unica que incluiu o transbordo no ferry “Cale de Aveiro”, que a troco de 2,05 € nos haveria de transportar para a outra margem do braço da Ria, até ao Forte da Barra e cuja travessia se operaria em cerca de 15 minutos.
Pelo meio, uma visita ao Festival do Bacalhau, a decorrer no renovado Jardim Oudinot, bem junto ao Navio-Museu Santo André, na Gafanha da Nazaré, Ílhavo e onde o fiel amigo foi rei durante cinco dias.
Imperdível também a passagem pelo porto de pesca longínqua ou de largo, onde se encontra a totalidade da frota nacional de navios bacalhoeiros. Local de lágrimas e alegrias, baluarte da indústria bacalhoeira nacional, que me causa sempre alguma preplexidade.
Os segredos da produção de sal marinho fomos encontrá-los nas salinas localizadas nas margens da Ria, nas fraldas da cidade de Aveiro.
“Volta” que terminaria junto à velhinha estação (ferroviária) de Aveiro, em obras de restauro, cuja fachada principal está decorada com painéis de azulejos da Fabrica da Fonte Nova, datados de 1916 e que retratam cenas e personagens regionais, de visita obrigatória.

O dia terminou com GPS a indicar 90 Km.

943 Km de costa e tanto para descobrir!

Um pequeno desabafo:

Em Aveiro, adquiridos os bilhetes, dirigimo-nos para o cais de embarque onde aguardaríamos pelo comboio que nos haveria de levar até ao Porto (Campanhã).
Entrados no comboio acondicionámos as bicicletas como podemos e sentámo-nos.
Em Cacia entrariam mais quatro bicicletas (citadinas) cujos utilizadores pretendiam deslocar-se até ao Marco (de Canavezes).
Haveria ainda de entrar mais um utilizador da bicicleta, com quem haveríamos de acabar a viagem em animada conversa.
Nos comboios suburbanos o transporte da bicicleta é gratuito todos os dias e em todos os horários, no entanto, os mesmos não estão minimamente preparados para acondicionar bicicletas, pelo que se aconselha o uso de um esticador de forma a evitar que se desloquem de forma indesejada.
Mas se entre todos nos fomos entendendo, o mesmo não aconteceu com o revisor, que já próximo do local de destino, nos abordou e veemente protestou da forma como estavam arrumadas as bicicletas e os ânimos só não ficaram mais exaltados porque houve algum tento na língua da nossa parte.

Fez-me lembrar os cães, que vão largando o seu odor através da urina como forma a marcar o “seu” território.


Algumas imagens:

































Podem visualizar ou descarregar o TRACK aqui.

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Vou-me à feira de Trancoso ...

Qualquer época do ano é boa para (re)visitar as "Aldeias Histórias" e a feira medieval de Trancoso constituiu apenas um pretexto para a sua (re)visitação.
Não digo que este certame, que pretende também rememorar o enlace matrimonial de El-Rei D. Dinis e Isabel de Aragão, aqui celebrado a 26 de Junho do ido ano de 1282, seja um regresso ao passado e à idade Média e que mereceu citação de Gil Vicente no Auto que dedicou a Mofina Mendes: «Vou-me à feira de Trancoso/logo nome de Jesu/ e farei dinheiro grosso/ Do qu'este azeite render/ comprarei ovos de pata/ que é a coisa mais barata/qu'eu de lá posso trazer. E estes ovos chocarão/ cada ovo dará um pato/e cada pato um tostão/Do qu'este azeite render/ que passará de um milhão/ e meio a vendar barato.»

500 anos depois, o visitante, por certo, não virá a Trancoso para ganhar dinheiro, mas sim para gastar algum ...
A urbe fomos encontrá-la a fervilhar de gente, em cenários de "Idade Média". Muita animação de rua, musica de inspiração medieval e, sobretudo, muita tasquinha, onde sempre se pode matar a sede e aconchegar o estômago.
A cintura amuralhada que rodeia a antiga vila medieval inclui um vasto património arquitectónico civil e religioso, que lhe confere uma imagem única, merecedor de demorada visita, que não pode terminar sem antes apreciar as famosas "Sardinhas Doces", de origem conventual, em forma das ditas manjuas, que lhe conferem o nome.
Foi em modo "passeio bttistico" que (re)visitámos Trancoso. 
O pessoal de Mêda, que organizou o evento, chamou-lhe a "IV Mítica Mêda - Trancoso - Mêda".
P/ o grupo estava reservado um fabuloso percurso circular, com inicio e termo em Mêda, com cerca de 70 Km e um D+ a rondar os 1 550 m, algo exigente em termos técnicos, com os menos atrevidos a desmontar algumas vezes, feito em ritmo moderado, com passagem pela aldeia histórica de Marialva e outros locais tão recônditos quanto inesperados, tais como Porcas, Pisão ou Valcovo.
Em Trancoso, cujo acesso à zona amuralhada seria feito pela "Porta da Traição", que nos permitiu circular por estreitas ruelas, decoradas com frondosas hortênsias, onde pouco mais cabia do que a bicicleta. Simplesmente delicioso.
E que dizer do farto repasto: Três horas para hidratar à base de sangria e cerveja e trinchar uns deliciosos "nacos" de vitela e umas tiras de "entremeada".
O (difícil) regresso a Mêda foi feito pelo parque Eólico de Cabeço D'Oiro, tendo a barragem de Terrenho como pano de fundo e ainda pelas aldeias de A do Cavalo, Casteição e Pai Penela.

Regressei a casa de barriguinha cheia!

Podem visualizar ou descarregar o TRACK aqui

Algumas imagens:
























Video do Passeio, elaborado Pelo Carlos Gabriel:





quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Outonando por Terras do Demo!

Chegar a Sernancelhe e às “Terras do Demo” poderá até nem ter sido tão difícil como no tempo de Aquilino, quando a viagem se fazia por “lanços perigosos e ziguezagues mortais”.
Esquecidas por Deus, as “Terras do Demo” transportam-nos para o que de melhor o Outono tem para exibir.
A passagem por abundantes soutos com os seus castanheiros seculares, a paisagem moldada pelas cores quentes do outono, os trilhos pejados de ouriços e a oportunidade de participar num são convívio, pelo coração da “Terra da Castanha”.
Que mais esperar de um Domingo onde o São Pedro fez questão de adornar o dia com pontadas de chuva e um céu cinzentão, a pedir descanso de alcofa e que acabou por se transformar numa espécie de “overdose bttistica”!

Um grande bem-haja ao pessoal da Meda que tão bem nos soube receber.









 
 







Partilho a "reportagem" em vídeo, elaborada pelo J. C.:






Podem visualizar ou descarregar o TRACK aqui 


segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Outonando!...


De carro, de barco, de comboio, de bicicleta ou a pé, todas estas opções são válidas para (re)visitar o Vale do Douro.
Pode até ser uma viagem sem rumo definido, por algumas das idílicas quintas que povoam o Vale, até há bem pouco tempo subvalorizado.
Pedalar por estes trilhos é uma experiência única. Chega-se aqui, ao alto Douro vinhateiro, património da humanidade e olha-se para os socalcos, esculpidos pela força das máquinas, carregados de vinhedos, onde sobressaem enormes letreiros que as identificam e, de repente, sentímo-nos perdidos.
A bordejar o Parque Arqueológico do Côa, a Quinta da Erva Moira (ou de Santa Maria, como por aqui lhe chamamos) e um pouco mais chegada a Almendra e a Castelo Melhor a Quinta do Custódio. Já na encosta sul do Douro, a Quinta de Castelo Melhor (Dourum).
Confinadas ao rio e à Ribeira de Aguiar as quintas da Ferreirinha: A Quinta da Granja, do Castelo e da Leda, que agora ostentam o topónimo da última.
Em todas elas podemos penetrar e nos envolver.
Sobranceiro ao Douro e delimitado pela Ribeira de Aguiar, localizado num amplo e destacado cabeço impõe-se a Calábria ou monte do Castelo, em cujo topo, aplanado, repousa imponente linha de muralha e derrubes de estruturas de antigo povoado, que ainda não tive coragem para escalar.

Saí de casa sem rota definida. Saí, literalmente, para desfrutar da bicicleta e acabei envolvido numa imensidão de cores outonais em pleno alto Douro vinhateiro!

Podem visualizar ou descarregar o TRACK aqui
 

  










terça-feira, 16 de outubro de 2018

Os efeitos do Leslie (De Almeida a Ciudad Rodrigo, pela GR 80)

Costumo dizer em jeito de brincadeira que não faço turismo na minha aldeia.
E, no entanto, há sempre tanto para ver e fazer!
Assisti ao nascimento da GR 80 em Setembro de 2015 e desde então já a repeti não sei quantas vezes.
E sempre que a faço não paro de me surpreender.
E, pelos vistos, não acontece só comigo, pois se assim fosse, no passado Domingo, não se juntaria a mim uma dúzia de “maluquinhos” do pedal.
Há algo de mágico que nos empurra para estes trilhos que percorrem ambos os lados da fronteira.
A meio da semana alguma apreensão pois as previsões meteorológicas não agouravam nada de bom. As mais pessimistas apontavam para a queda de precipitação em consequência da evolução do furacão Leslie, que atingiria território continental sob a forma de depressão pós-tropical.
E efectivamente com a aproximação da tempestade, na noite de Sábado para Domingo, o vento já se fazia sentir de forma intensa e, na manhã de Domingo, o sibilar provocado pelas rajadas mais intensas parecia não constituir um bom indicador e só a muito custo saí de casa, mais até para não defraudar as expectativas do restante pessoal que por mim aguardava em Almeida.
Manhã que viria a exibir-se bastante fria, com o termómetro a apontar para os 10.ºC, muita nébula e vento moderado, gerador de algum desconforto.
Algum cuidado na projecção da rota, eliminando troços mais monótonos que, quanto a mim, mais não pretendem do que adicionar Km ao track.
Pouco passaria das 8,00 horas quando deixámos a praça forte  de Almeida em direcção a Vale de Coelha e à Ribeira dos Tourões (Toirões, na linguagem popular), que serve de linha de fronteira e separa ambos os Países.
O trilho fomos encontrá-lo cuidado e limpo, bem sinalizado e purgado das deficiências que lhe havia apontado em passagens anteriores tais como a colocação de “mata-burros” junto às porteiras fechadas. Não tivemos que abrir ou saltar uma única que fosse, o que não deixa de ser confortável!
A meio caminho a primeira grande surpresa do dia: Um grupo de “bttistas” do “Grupo de BTT El Pedal” que, sabendo da nossa passagem, pelas redes sociais, decidiu esperar-nos e acompanhar-nos até Ciudad Rodrigo, onde nos proporcionaram uma autêntica “visita-guiada” pelo núcleo monumental da cidade, com especial destaque para a passagem pela zona amuralhada que a envolve.
Percorremos a cidade de uma forma como nunca o havíamos feito.
E ainda nos brindaram com uns divinais “bocadillos”, acompanhados de refrescantes “cañas”, como complemento hidratante.
Impossível esquecer!
Ciudad Rodrigo, declarada conjunto Histórico-artístico, é uma velha praça militar fortificada e as suas imponentes muralhas guardam riquíssimo património de edifícios civis e militares, onde se destaca a catedral e a torre de menagem. No exterior sobressai a velha ponte romana sobre o Rio Águeda e o Mosteiro da Caridade, do Sec. XVI.
Tudo merecedor de demorada visita, que não concretizámos, nem íamos para tal.
No final, em Almeida, ainda tentámos um lanche no “Granitus”, pois o amigo Manuel Rodrigues havia-nos presenteado com umas botelhas de syria “Quinta dos Currais”, colheita de 2016, mas fomos simpaticamente informados que tal não seria possível em virtude de a cozinha estar encerrada.

Lá tivemos que "fazer boca" com uns pastéis de bacalhau e uns rissóis!

Feitas as contas, o saldo viria a revelar-se bem positivo e altamente recomendável, tanto para os nativos como para os forasteiros!

Podem visualizar ou descarregar o TRACK aqui

Algumas imagens:






















Reportagem pelo Júlio Canteiro: