quarta-feira, 26 de abril de 2017

AS GRAVURAS ESTÃO A IR AO FUNDO!


Em 1995 o país é assolado por um dos mais intensos e envolventes debates: Suspender, ou não, a construção da barragem hidroeléctrica prevista para o vale do Côa como forma de proteger o maior complexo de arte rupestre do Paleolítico Superior ao ar livre existente no mundo. 
Sob o slogan "as gravuras não sabem nadar" o tema ganhou uma dimensão tal que acabou eleito o acontecimento nacional do ano.
O movimento pela salvaguarda das gravuras tornou-se esmagador, ao ponto de uma das primeiras medidas do Governo de então, chefiado por António Guterres, em Outubro de 1996, ter tomado a decisão de suspender as obras de construção da barragem.
 Uma estrutura que a UNESCO, por decisão de 2 de Dezembro de 1998, não hesitou em classificar como Património da Humanidade, descrevendo o local como possuidor de “uma excepcional concentração de gravuras do paleolítico superior, com 22 a 10 mil anos, o mais importante exemplo da mais primitiva manifestação da criatividade humana ao ar livre e, nesta forma, única no mundo”.
Passados 20 anos da decisão de suspensão, facilmente constatamos que os tão esperados benefícios que naquela altura se previam, se esvaíram.
Os turistas prometidos nunca apareceram. Estimavam-se 200 000/ano, mas nem sequer se atingiram 200 000 em 10 anos.
Sobrou a conta, mais as viagens e os trabalhos duns investigadores estrangeiros para que falassem de Foz Côa, juntamente com uns filmes que ninguém viu mas “fariam renascer o interesse por Foz Côa”, bem como o museu que se tem revelado insuficiente para atrair os tais turistas.
Grande parte dos defensores da causa nunca visitou o local e os percursos propostos fomos encontrá-los num estado de degradação total, pelo menos o da ribeira dos Piscos.
A Fundação Côa Parque, que julgo ser actualmente a entidade gestora do Parque Arqueológico, está a passar por um fatal aperto financeiro, que a torna numa quase inexistência.
Já por aqui tinha andado em 2009 e sempre com vontade de voltar, porque gostei verdadeiramente de conhecer o maior museu ao ar livre do Paleolítico em todo o mundo, e do que pude observar só posso dizer que as gravuras estão a ir ao fundo.
As gravuras encontram-se "esculpidas" sob as paredes verticais de grandes blocos de xisto, que povoam a margem esquerda da ribeira dos Piscos, muito próximas da sua desembocadura no rio Côa e que dada a nossa "cegueira" apenas conseguimos visualizar o que se me pareceu ser um auroque ou um equídeo.
 Há muito que o local deixou de ter manutenção ou receber visitas. Os vários painéis estão completamente votados ao abandono. Para os visitar foi necessário abrir caminho por entre urtigas e erva com mais de um metro de altura.
Mas, animem-se, nem tudo é mau. Os trilhos continuam fabulosos!
Um grande bem-haja para o Carlos Gabriel pelo fantástico dia de btt que nos programou e à BIKE STUDIO pela ideia.

Podem visualizar ou descarregar o TRACK aqui

Mais fotos aqui









segunda-feira, 13 de março de 2017

GR 14.1 - O prazer da loucura!



Diz-se que de são e de louco todos temos um pouco.
É esta dualidade de pensamentos que nos motiva ao desafio, a correr riscos.
Mentes sãs a necessitar de uma pequena porção de loucura para tornar um dia cinzento num outro, mais colorido.
Vamos p/ mais uma edição da GR 14.1 (Senda del Agueda).
Queremos, sobretudo, sentir o prazer da loucura.
Da “Puente de los Franceses”, das “calles” típicas de Ahigal de los Aceiteros, à soberba paisagem sobre o Douro e Barca de Alva, a chuva miudinha, o vento cieiro na “tromba”!
Ontem foi um pouco assim.
E, no entanto, sinto que a GR 14.1 está a desaparecer.
No ano passado começamos (aqui)  a sentir os primeiros sintomas de degradação e abandono por parte das autoridades responsáveis pela sua manutenção.
A ausência de preservação dos trilhos e a degradação da sinalética sente-se, especialmente, nas áreas territoriais de Sobradillo, Hinojosa de Duero e La Fregeneda.
No sector que liga Sobradillo a Hinojosa de Duero, deparamo-nos com a total destruição do trilho e implantação de vedações e “portaleiras”, que praticamente inviabilizam a progressão.
Mas não é tudo.
As dificuldades voltam a surgir na ligação Hinojosa de Duero\La Fregeneda. 
Aquele brutal “singletrack” que conduz ao famoso viaduto da antiga e desactivada linha férrea, sobre a “Rivera del Froya” está a ficar completamente obstruído por densos silvados que, de forma irreversível, vão tomando conta do trilho.
Lá, como cá, o desleixo e o abandono do património público vai-se constituindo como se de lei se tratasse.

TRACK (aqui
Nota: A amarelo o desvio que se propõe para evitar as vedações e portaleiras
          Em Barca de Alva é proposto um alternativo para os mais bem preparados que queiram evitar o alcatrão









segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

NIGUÉM FEZ DE PAI NATAL!



Este ano ninguém fez de Pai Natal (será com hífen? Fiquei na dúvida!).

Os mais novos há muito que não têm idade para acreditar no Pai Natal e entre os mais velhos haverá até alguns que já fizeram de Pai Natal.

O encontro foi mais um pretexto próprio da época.

Quanto à “voltinha” nada de especial pois o apuro de forma nesta altura do ano deixa muito a desejar. Mesmo assim ainda deu para percorrer cerca de 40 km, feitos a ritmo muito relaxado, pela envolvente da Serra da Marofa, com um acumulado ascendente a rondar os 1000 m

O ponto alto do dia acabou por ser o convívio e o generoso repasto.



P.S. - Faltam alguns dias para o Natal. Pensem no que faz falta.

 Aqueles que se portaram mal provavelmente só terão direito a um tição, mas para todos os outros a árvore de Natal estará decorada com as prendas desejadas ... e possivelmente com alguns presentes menos desejados.

Lembrem-se que o Pai Natal costuma sentir algumas dificuldades em escolher o presente certo. Aquela “coisa” que faz falta, aquela "coisa" por que andam a suspirar há já algum tempo.

A maior parte das vezes o Pai Natal nem percebe nada de bicicletas. Facilitem-lhe a vida deixem-lhe umas boas dicas!

terça-feira, 22 de novembro de 2016

PENEDO DURÃO 2016



Saindo em direcção a Escalhão (cujos habitantes são apelidados de azeiteiros) e à ribeira de Aguiar, que transpusemos pela velha ponte romana (???) cuja estrutura em pedra granítica, suportada por dois arcos desiguais ligeiramente quebrados, ainda se apresenta em perfeito estado de conservação.
Até Barca de Alva seguimos pela Sapinha, uma espécie de miradouro natural de onde se colhe vista privilegiada sobre o Douro e a foz do Águeda, assim como dos recortes rochosos que se prolongam desde a Ribeira do Mosteiro até ao Penedo Durão, por onde mais tarde haveríamos de passar.

Pela EN 221, em direcção a Freixo de Espada Cinta, de encontro à estrada do Cândedo, paralela à Ribeira do Mosteiro, até alcançarmos a Calçada de Alpajares e o miradouro do Penedo Durão.

Localizado na margem direita do Douro Internacional, no concelho transmontano de Freixo de Espada à Cinta e a pouco mais de 2 Km a nascente da aldeia de Poiares, o miradouro do Penedo Durão parece um local abençoado pela natureza. Sobranceiro à barragem espanhola de Saucelle e à foz do rio Uebra, forma uma autêntica varanda sobre o Douro Internacional.

Do alto deste penhasco quartzítico o horizonte é largo, mas o que aqui sobressai é a colónia de grifos que, aproveitando as correntes de ar quente, nos vão brindando com voos rasantes, muitas das vezes num plano inferior à nossa localização e que nos permite visualizar o seu dorso e a plumagem acastanhada, bem como a sua grande envergadura.
Mais de 2 metros de amplitude de asa …

A progressão faz-se pela cumeada, no sentido poente, até alcançamos o “Assomadouro”.
O “Assomadouro” é um miradouro natural que nos oferece uma vista inolvidável. Ao fundo Barca de Alva e o Douro, cuja margem direita se nos apresentou em tons amarelos próprios do Outono. Mais próximos a estrada do Cândedo, paralela à ribeira do Mosteiro e as quintas durienses, onde prevalece a vinha.

De regresso a Poiares e à Estrada do Cândedo, que alcançámos pela calçada da Santana.

O vale estrutural da Ribeira do Mosteiro, com as suas extraordinárias dobras, alberga as calçadas de Alpajares ou do diabo e da Santana, que no seu conjunto formam uma das mais impressivas paisagens do PNDI - Parque Natural do Douro Internacional.

Até Figueira C. Rodrigo pela EN 221 em “gestão de esforço”!

“Voltinha” que no final do dia se viria a saldar em quase 83 Km, com uns simpáticos 2 100 m de acumulado ascendente.
A que terei ainda de adicionar uma queda logo nos Km iniciais (2016 está a revelar-se um “annus horribilis”) de que resultariam apenas danos materiais - capacete partido. É caso para dizer que a aventura, para mim, começou assim que transpus a porta de casa!...

P.S. Gosto de partilhar estes trilhos e no Domingo passado fi-lo com o Pedro Roque, Pedro Nuno, Pedro Tondela, João Batista, Luís Santos e Rui Sousa.

Algumas imagens:


 (Alto da Sapinha)












(Calçada de Alpajares)


(Calçada de Alpajares)


(Penedo Durão)






(Calçada da Santana)


(Calçada da Santana)