segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O ceu é o limite


Tal como tem vindo a ser divulgado estou a preparar uma peregrinação a Santiago de Compostela em autonomia total.
Se tudo correr dentro da normalidade sairemos de Figueira de Castelo Rodrigo no dia 25 de Abril e regressaremos dia 1 de Maio p.f..
 Já tenho comigo 6 credenciais.
A avaliar pelo entusiasmo provocado no grupo cheguei a pensar não serem suficientes, mas à medida que a data se vai aproximando sinto que a excitação inicial se vai esmorecendo e estou em crer que à partida não seremos mais do que três ou quatro, no máximo.
Tendo já efectuado parte do Caminho Sanabrês (Bragança\Santiago) em 2009 reconheço que não irá ser tarefa facil. Mas como eu costumo dizer no btt não há impossiveis.
O céu é limite.
Com algum treino e muita força de vontade chegaremos, com toda a certeza, a Santiago.
(Santiago Matamouros - Igreja Matriz de Castelo Rodrigo)       É evidente que estou a tentar obter o máximo de
                                                                  informação sobre o caminho que iremos percorrer.
Não existe o Caminho de Santiago. Existem os caminhos de Santiago.
Se a motivação religiosa é o pretexto fundamental para se peregrinar, na idade Média também se peregrinava para ganhar indulgencias, para fazer penitência e até por encomenda e em nome de alguem que não podia fazê-lo em pessoa. Tambérm se peregrinava em cumprimento de delito criminal. Actualmente peregrina-se, sobretudo, por espirito de aventura. Mas uma coisa eu vos garanto: Quando chegamos a Santiago, à Praça do Obradoiro, o sentimento que se apodera de nós não é só aventura...
Vi peregrinos em final de peregrinação a chorar de ... emoção.
São momentos unicos.
Apodera-se de nós algo que nos transcende. Se isso é fé, não sei. Mas que é algo mexe connosco é.
Sempre me intrigou um pouco haver tantas marcas dos caminhos de Santiago na área do municipio de Figueira de Castelo Rodrigo e não se conhecer um "tramo" do Caminho. Em Escarigo, bem junto à linha de fronteira, a vieira está bem presente numa alminha localizada na Rua da Albergaria que tem alojado um painel de azulejos onde está expressa a seguinte mensagem: "O vós que ides passando, lembrai-vos das almas que estão penando".Curiosa inscrição que iremos encontrar algumas vezes ao longo do Caminho que agora nos propomos realizar.
O cruzeiro do Roquilho, em Almofala, a imagem do Santiago Mata-mouros existente na igreja matriz de Castelo Rodrigo, bem como a decoração de vieiras do seu interior, o cruzeiro sito à Cruz da Vila, e um outro existente na encosta virada a poente, no caminho que conduz à Fonte da Vila, são tudo manifestações dos Caminhos. Pena é que as nossas autoridades locais não potenciem uma investigação séria destes itinerários jacobitas e os incluam nos seus roteiros turisticos. Estou-me a lembrar que as antigas escolas primárias, à muito desactivadas por falta de alunos, com obras de pequena monta, se transformariam em optimos albergues.
Recentemente descobri umas setas amarelas que têm o seu inicio junto à igreja matriz  da vila e que, quanto a mim, estão no sentido contrario, pois os peregrinos medievais deslocavam-se, desde Salamanca, em direcção a Portugal, entrando em Escarigo e Almeida, dirigindo-se depois a Trancoso e Lamego, seguindo depois  o Caminho do Interior (Guimarães e Braga) até Santiago.
Após alguma pesquisa na NET vim a descobrir que essas setas, nos levam até Escarigo, em direcção a Espanha, por  La Bouza, Porto Seguro, San Felizes, e daqui a Ciudad Rodrigo, prosseguindo até Salamanca onde entroncam na Via de la Plata, o que até se me parece razoavel em virtude das estruturas de apoio ao peregrino existentes em Espanha.
Mas as minhas pesquisas não se ficaram por aqui.
Tal como disse antes, não existe o caminho de Santiago. Existem os caminhos de Santiago. E nós iremos fazer o nosso próprio caminho.
Usando um misto de percursos já conhecidos e desenhando o nosso próprio caminho julgo que não nos será dificil chegar a Sancti Spiritus (Salamanca). A partir dali senti algumas dificuldades em desenhar o percurso até Salamanca, a não ser por estrada nacional. No entanto, após alguma persistencia nas pesquisas e quase por mero acaso, esbarro num site espectacular sobre o Camino Torres, que por completo desconhecia. Não vou perder tempo a descrevê-lo. Deiam uma vista de olhos aqui.
Os caminhos jacobitas na maioria das vezes seguem as antigas vias romanas. Veja-se a Via de la Plata.
Depois do que pesquisei tornou-se evidente para mim que se quisesse ser rigoroso teriamos que seguir o Caminho de Torres, que mais não é do que um caminho secundário que vai entroncar no Caminho do Interior português, que apanhariamos em Almeida, em direcção a Lamego. Só que nos faltam as estruturas de apoio existentes em Espanha, tais como os albergues que temos na via de la plata ou no caminho sanabrês.
Assim, a ideia é partir de Figueira em direcção a Almofala, Escarigo, La Bouza, Porto Seguro. Em Porto Seguro desceremos até à Ponte dos Franceses, sobre o Agueda, prosseguindo depois até San Felizes, Bañobárez, Sancti Spiritus e daqui, tomando o "Camino Torres" (ou via Dalmácia), até Salamanca, onde pernoitaremos, para no dia seguinte iniciar a Via de la Plata.

Resumo das Etapas:

1.º Dia: 25 de Abril de 2012 – Figueira\Salamanca (+/- 143 Km) - Trajecto de dificuldade baixa
6,00 Horas – Saída de Figueira, Junto à Igreja Matriz

2.º Dia – Salamanca\Zamora\Tabara (+/- 113 Km)
Neste 2.º dia iremos tentar chegar a Santa Croya de Tera onde, ao contrário de Tabara, o albergue é excelente, só que teremos prolongar a etapa até ao 134 Km (vamos ver se conseguimos pois a etapa é bastante roladora).

3.º dia – Tabara (ou Santa Croya de Tera)\Puebla Sanábria (+\- 92 Km, ou um pouco menos se sairmos de Santa Croya de Tera)

4.º dia – Puebla Sanábria\Laza (+/- 90 Km)

5.º dia - Laza\Orense\Cea (+/- 77 Km)

6.º dia - Cea\Laxe (+/- 70 Km)

7.º dia Laxe\Santiago (+/- 54 Km)

Estas etapas são meramente indicativas: A ideia é tentar fazer mais km nos primeiros dias, de forma a que possamos encurtar distancia nos últimos três dias, onde o acumulado ascendente se faz sentir de forma muito acentuada.

Tentaremos pernoitar sempre em Albergues de Peregrinos.

Tal como já foi dito, está previsto um encargo diário de 30 euros (Pequeno Almoço, reforços alimentares, Almoço, Jantar e dormidas).

Aqui ficam algumas imagens das marca dos caminhos jacobitas, na área do municipio de Figueira de Castelo Rodrigo:

(Antiga albergaria - Escarigo)


Alminha - Escarigo


                                                         (Cruzeiro do Roquilho - Almofala)




                                 (Cruzeiro - Castelo Rodrigo - encosta poente (Caminho que leva à Fonte da Vila)




                                                                      (Cruzeiro - junto a Escarigo)

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