quarta-feira, 26 de abril de 2017

AS GRAVURAS ESTÃO A IR AO FUNDO!


Em 1949 a Hidroeléctrica do Côa apresenta, pela primeira vez, o plano geral para o aproveitamento hidroeléctrico da bacia do rio Côa.
Mais tarde, em 1959, aquela empresa transfere para a sua congénere, a Hidroeléctrica do Douro, os direitos relativos à concessão para o aproveitamento da energia das águas do rio Côa que, nesse mesmo ano, apresenta o Plano Geral do Rio Côa.
O projecto final do aproveitamento hidroeléctrico de Foz Côa acabaria, contudo, por ser da responsabilidade da EDP-Porto, que o apresenta em 1991.
É, no entanto, em 1995 que o país acaba assolado por um dos mais intensos e envolventes debates: Suspender, ou não, a construção da barragem hidroeléctrica prevista para o vale do Côa como forma de proteger o maior complexo de arte rupestre do Paleolítico Superior ao ar livre existente no mundo. 
Sob o slogan "as gravuras não sabem nadar" o tema ganhou uma dimensão tal que acabou eleito o acontecimento nacional do ano.
Uma estrutura que a UNESCO, por decisão de 2 de Dezembro de 1998, não hesitou em classificar como Património da Humanidade, descrevendo o local como possuidor de “uma excepcional concentração de gravuras do paleolítico superior, com 22 a 10 mil anos, o mais importante exemplo da mais primitiva manifestação da criatividade humana ao ar livre e, nesta forma, única no mundo”.
O movimento pela salvaguarda das gravuras tornou-se esmagador, ao ponto de uma das primeiras medidas do Governo de então, chefiado por António Guterres, em Outubro de 1996, ter tomado a decisão de suspender as obras de construção da barragem.
Passados 20 anos da decisão de suspensão, facilmente constatamos que os tão esperados benefícios que naquela altura se previam, se esvaíram.
Os turistas prometidos nunca apareceram. Estimavam-se 200 000/ano, mas nem sequer se atingiram 200 000 em 10 anos.
Sobrou a conta, mais as viagens e os trabalhos duns investigadores estrangeiros para que falassem de Foz Côa, juntamente com uns filmes que ninguém viu mas “fariam renascer o interesse por Foz Côa”, bem como o museu que se tem revelado insuficiente para atrair os tais turistas.
Grande parte dos defensores da causa nunca visitou o local e os percursos propostos fomos encontrá-los num estado de degradação total, pelo menos o da ribeira dos Piscos.
A Fundação Côa Parque, que julgo ser actualmente a entidade gestora do Parque Arqueológico, está a passar por um fatal aperto financeiro, que a torna numa quase inexistência.
Já por aqui tinha andado em 2009 e sempre com vontade de voltar, porque gostei verdadeiramente de conhecer o maior museu ao ar livre do Paleolítico em todo o mundo, e do que pude observar só posso dizer que as gravuras estão a ir ao fundo.
As gravuras encontram-se "esculpidas" sob as paredes verticais de grandes blocos de xisto, que povoam a margem esquerda da ribeira dos Piscos, muito próximas da sua desembocadura no rio Côa e que dada a nossa "cegueira" apenas consegui visualizar o que se me pareceu ser um auroque ou um equídeo.
 Há muito que o local deixou de ter manutenção ou receber visitas. Os vários painéis estão completamente votados ao abandono. Para os visitar foi necessário abrir caminho por entre urtigas e erva com mais de um metro de altura.
Mas, animem-se, nem tudo é mau. Os trilhos continuam fabulosos!
O grande bem-haja para o Carlos Gabriel pelo fantástico dia de btt que nos programou e à BIKE STUDIO pela ideia.

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