Encerrada ao tráfego em 1 de Janeiro de 1990 e
completamente desmantelada no troço entre Sernada (do Vouga) e Viseu, da antiga
Linha do Vouga subsiste o ramal de Aveiro.
Originalmente reconhecida como Linha do Vale do Vouga e mais
tarde alcunhada de Linha do Vale das Voltas, devido ao seu sinuoso traçado,
ligava a Linha do Norte, em Espinho, à Linha do Dão, em Viseu, numa extensão de
cerca 140 Km.
Em Outubro de 2009 os Municípios de Albergaria-a-velha,
Águeda, Sever do Vouga, Oliveira de Frades, Vouzela, S. Pedro do Sul e Viseu, a
Comunidade Intermunicipal da Região Dão-Lafões e a REFER apresentam o anteprojecto
da futura Ecopista do Vale do Vouga, que se estenderia pelo troço ferroviário desmantelado, desde Sernada até Viseu, numa extensão de cerca
de 80 Km.
Do anteprojecto constava a transformação do traçado em via ciclo-pedonal e a reabilitação das estações de caminho-de-ferro (e os
apeadeiros) implantadas em cada um dos sete municípios abrangidos pelo
projecto.
No terreno pudemos constatar que apenas na área territorial
do município de Sever do Vouga existe um pequeno troço de ciclovia, com cerca
de 10 Km, localizado entre a Foz do Rio Mau e a estação de Paradela, com
prolongamento até Cedrim, onde se inclui a recuperação e transformação da
antiga estação da Paradela em infraestrutura de apoio.
Já dentro da área territorial do Município de Águeda é
possível circular no antigo canal ferroviário que se prolonga desde a Foz do Rio Mau até Sernada, num percurso todo ele paralelo ao Vouga e à EN 16.
Um projecto antigo agora concretizado, na companhia do
Carlos Gabriel, de quem partiu o convite.
As expectativas eram altas e não saíram defraudadas.
Optámos por fazer a ligação entre Viseu e Sernada do Vouga,
onde ainda chegam os comboios, vindos do ramal de Aveiro.
Em Viseu, para lá do depósito de água da extinta
estação, entretanto recuperado e colocado em local de destaque, não se
vislumbram outros vestígios da linha pelo que só com a ajuda do GPS
conseguimos progredir e ir “apanhando” alguns troços da antiga via. Só a
partir de Moselos é que demos inicio, de forma continuada, à verdadeira
“ciclovia”, perfeitamente definida pelos declives pouco acentuados, por onde
até há bem pouco tempo (27 anos !!!) circulavam as auto-motoras da CP.
Com excepção
para os pequenos troços que foram convertidos em ciclovia, o percurso desenvolve-se todo
ele em terra batida, apresentando-se-nos, por vezes, ainda o balastro da antiga via.
Só damos conta que circulamos na extinta linha férrea
pela visualização das antigas estações, umas completamente degradadas e
abandonadas, que contrastam com outras recuperadas e convertidas em edifícios de
cariz social, que os topónimos vão denunciando.
Na retina ficará a passagem sobre a velha ponte, entre Negrelos e a antiga estação de S. Pedro do Sul, a soberba passagem
sobre Vouzela, onde pudemos apreciar a velha locomotiva E202 e a antiga ponte ferroviária, que oferece larga vista sobre a românica igreja
matriz e a sede de concelho.
Alguma indecisão a atravessar Oliveira de Frades pois o GPS
indicava-nos a passagem para um plano superior, só transponível por grande
lanço de escadas por detrás do edifício da antiga estação ferroviária.
Destaque, ainda para a longa paragem na antiga
estação da Paradela, Intervencionada em 2011 e reconvertida em estrutura de apoio
à ecopista da Linha do Vouga, albergando balneários, loja de aluguer de
bicicletas com capacidade para pequenas reparações e centro de
interpretação ambiental, com restaurante e esplanada, que se viria a revelar
extremamente aprazível e onde foi possível refeiçoar e hidratar. Tão agradável
que na viagem de regresso não resistimos a nova passagem.
Por fim, realce para a passagem sobre a Ponte do Poço de
Santiago. Autentico ex-líbris do concelho de Sever do Vouga e símbolo
identitário de toda a região. Construída em alvenaria, esta elegantíssima obra
de arte inaugurada em 1913, constitui-se como uma das pontes mais singulares de
Portugal, composta por vários arcos de geometria complexa e invulgar, com o
arco maior a alcançar ambas as margens do Vouga.
Aspectos a considerar:
O percurso prima pela total ausência de informação, pelo que
se recomenda o estudo antecipado do trajecto e o uso do GPS.
Total ausência de pontos de água. (A mim não me restou outra
alternativa que não fosse procurá-la em habitações privadas!..).
Percurso de dificuldade média, surpreendentemente prazenteiro,
especialmente nos limites de S. Pedro do Sul, Vouzela e no último terço, entre Paradela e Sernada, com muita sombra, a fazer nos
meses mais quentes do ano.
A repetir, prolongando o trilho até Aveiro.
Algumas imagens:
Podem visualizar ou descarregar o TRACK aqui.
Podem, ainda, visualizar o vídeo feito pelo Carlos Gabriel AQUI