sexta-feira, 17 de junho de 2016

PELAS ARRIBAS DO AGUEDA - SENDA DEL AGUEDA\ GR 14.1



Num fim-de-semana prolongado em que o País parou para gozar o sol, uma das sugestões velocipédicas proposta passava pela realização de mais uma edição da GR 14.1 e que seria a primeira do ano.
Não esperávamos grande adesão pois os 90 Km propostos, aliados aos 2100 m de acumulado de subida, são sempre algo intimidantes.
Dos oito participantes apenas o Rui Daniel e o Júlio Canteiro, vindos de Torre de Moncorvo, o iriam percorrer pela 1.ª vez.

Como já vem sendo habitual a ligação Figueira C. Rodrigo\Almofala\Escarigo\La Bouza\Puerto Seguro foi feita por alcatrão, com excepção de dois pequenos troços, imediatamente antes das localidades de Escarigo, ainda em território luso e de Puerto Seguro, já do outro lado da fronteira.
Serão cerca de 23 Km feitos em jeito de aquecimento, percorridos de forma animada e muito descontraída.
Logo após Puerto Seguro o trilho, que faz a ligação a San Felices de los Gallegos, encaminha-se para o “Cañon del Águeda” só transposto pela famosa “Puente de los Franceses” e onde os mais afoitos libertaram as primeiras doses de adrenalina na perigosa descida que lhe dá acesso.
Sobre a ponte a paisagem continua, simplesmente, deslumbrante. A jusante do rio foi possível observar numerosa colónia de grifos que por ali vai nidificando e a montante a pequena central hidroeléctrica, que há mais de 120 anos vai gerando electricidade para estes pequenos aglomerados populacionais, ainda em plena produção mercê do forte caudal do rio, não obstante estarmos em plena época estival.
Este pequeno complexo hidroeléctrico tem a particularidade de ter sido inteiramente projectado e concebido por portugueses, fornecendo energia eléctrica a Escarigo desde os finais do Sec XIX.
Uma vez na ponte tornou-se necessário superar o empinado do caminho para chegar a San Felices de los Gallegos e onde só os mais capazes tecnicamente brilharam. Aos restantes mais não restou do que fazê-la de forma apeada!...
San Felices de los Gallegos transpira de história transfronteiriça que se reflecte nas suas estreitas ruas, que calcorreámos a fim reabastecermos de água fresca na Plaza del Caño.
Já próximo de Sobradillo as ruínas do convento franciscano de Santa Marina de la Seca continuam a sobressair numa imensa tela verde que tem como pano de fundo Castelo Rodrigo e as Serras da Vieira e Marofa e, mais próximas, as arribas do Águeda e a capela de Santo André (Almofala).
Em Sobradillo uma paragem (técnica) para hidratação e degustação de uns “pinchos” e umas “cañas”!
Até Hinojosa de Duero o trilho vai fazendo as delícias da rapaziada. Sem ser muito rigoroso fisicamente exige, no entanto, alguma destreza no controlo da montada.
Um bom teste para as suspensões e pneus!
Em Hinojosa de Duero, como habitualmente, seguimos as marcas da GR 14 – Senda del Duero, em direcção a La Fregeneda, por trilho descendente, extremamente técnico, de encontro à antiga ponte ferroviária sobre a ribeira de Froya (junto à desactivada estação de La Fregeneda) e onde, não raras vezes, vão acontecendo umas quedas, sempre violentas.
Em La Fregeneda seguimos as marcas na direcção de Valicobo (quinta), autentica varanda sobre o Douro português, Barca de Alva e foz do Águeda.
Aqui se produzem muitas fotos de “capa”!
Em Barca de Alva nova paragem p/ hidratação e reposição de energias.
A ligação Barca de Alva\Figueira de castelo Rodrigo foi feita pela EN 221 que, julgo, foi a opção mais sensata pois os termómetros marcavam uns escaldantes 36 ºC e subir até Castelo Rodrigo, pelos Picões seria um autêntico suplicio, evitável.

Faço esta GR desde 2008, sempre irrepreensível quer em marcações, quer em manutenção. Uma referencia.
Desta vez deparámo-nos com um total desleixo e muita degradação.
É certo que o Inverno prolongado e chuvoso tem favorecido um anormal crescimento vegetativo mas isso não pode servir para tudo desculpar. Painéis informativos descuidados, partidos e maltratados, marcações ocultas e semi-destruidas foi o que nos foi dado observar.
A falta de manutenção e limpeza do trilho começa a sentir-se logo na descida para a Ponte dos Franceses e assim se vai mantendo ao longo de todo o trajecto.
O “tramo” entre Hinjosa de Duero e La Fregueneda mais umas semanas fica intransitável, com as silvas e as giestas a tomarem conta do trilho de forma irreversível. A evitar em incursões futuras.

Como alternativa aconselha-se o atravessamento de Hinojosa, seguindo as marcações\sinalética da GR 14.1 até ao seu término, na Barragem de Salto de Saucelle, de encontro à EN 221 prosseguindo depois na direcção de Barca de Alva. O trilho é bastante técnico mas vale bem a deslocação, pois as vistas sobre o vale serão uma soberba recompensa.

Apesar destas pequenas contrariedades é sempre bom fazer uma incursão por estes fabulosos trilhos.

Resumo do dia:
                        +/- 90 Km (extremamente relaxados);
                        Acumulado de subida: +/- 2100 m
                        Acumulado de descida: +/- 2100 m
                        Tempo total: +/- 9,30 horas (com paragens)

Alguma dificuldade em arranjar onde repor a energia perdida. Quase por mero acaso fomos ao unico restaurante que encontramos aberto: "O Dias", onde nos foi servido um "Naco" de vitela que se apresentou DIVINAL. Autentico manjar dos deuses. Se puderem passem por lá. Atendimento simples mas afável e a preços convidativos.

Para aceder ao TRACK do percurso consultem no final de "post(s)" anteriores relacionados com a GR 14.1.


Algumas imagens:




(Atravessando Escarigo)


 (Acesso à Ponte dos Franceses - Puerto Seguro)


 (Ponte dos Franceses)



 (Penando em direcção a San Felices de los Gallegos)


 (Bonsai - Oliveira em miniatura - Museu do Azeite - San Felices de los Gallegos)


 (Atravessando San Felices)



(Rua tipica - Ahigal de los Aceiteros)




 (Chozo - arquitectura tradicional)




 (Tortilla)


 (Sobradillo)









 (Sal e brasa!...)












(Ao fundo Valicobo - Quinta)




 (Foz do Águeda)


 (Pormenor de hidratação - Barca de Alva)




 (Ribeira de Aguiar - Ponte Romana)


 (Términos - Figueira Castelo Rodrigo)


 (Naco de vitela)


(Foto de grupo)


P.S. -  Este espaço tem andado com bastante falta de manutenção, mas não esquecido.
O facto é que não tenho feito percursos merecedores de nota de destaque. Apenas isso.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Outono na Estrela (2015)


“Na realidade trabalha-se com poucas cores. O que dá a ilusão do seu número é serem postas no seu justo lugar”

(Pablo Picasso)

São 6,45 horas do dia 15 de Novembro quando, sob um intenso manto de nevoeiro e na companhia do Luís Santos (Chapeiro), David Paredes e Pedro Tondela deixo Figueira de Castelo Rodrigo rumo a Manteigas.
Alguma apreensão relativamente às condições meteorológicas que se viriam, no entanto, a dissipar após a passagem pela Guarda, pois foi-nos oferecido um dia soalheiro com temperaturas a condizer.
 
Para muitos, a única época do ano para visitar o ponto mais alto de Portugal continental restringe-se ao Inverno, devido à neve, mas para nós o Outono é outra das épocas que torna obrigatória uma incursão pelo Parque Natural da Serra da Estrela.

Em Manteigas, juntar-nos-íamos ao pessoal amigo da Covilhã, ao Carlos Gabriel e ao Rui Daniel que, vindos de Vila Nova de Foz Côa e Moncorvo, respectivamente, por nós aguardavam junto ao Centro de BTT.

Do cardápio constavam 65 km, algo exigentes, com um acumulado de subida a rondar os 2000 m ... smile emotion .... com passagem pelo Poço do Inferno, Reboleira, Vale da Amoreira, Fragusto, Gorgulhão, Corredor de Mouros, S. Lourenço, Faias, Cruz das Jogadas, Pousada de S. Lourenço, Vale do Rossim (se para tal houvesse tempo), Mondeguinho com paragem obrigatória no Ti Branquinho, finalizando em Manteigas.

De Manteigas ao Poço do Inferno serão cerca de 8 km de alcatrão em ascendente, feitos em jeito de aquecimento, de encontro à magistral cascata, um dos ícones do Parque Natural.

A panóplia de cores quentes que pinta a paisagem é tal que se torna difícil de a descrever. O verde, o amarelo, o laranja e o vermelho são predominantes. É o Outono em todo o seu esplendor neste incrível cenário proporcionado pela natureza, amenizado pelas chuvas de final de Outubro e início de Novembro.

O espectáculo assim se haveria de prolongar por muitos e bons Km, aliado a trilhos de excelência previamente seleccionados pelo Carlos Russo.

Brutal o singletrack que se seguiria à rampa de lançamento de parapente e que nos conduziria até Vale da Amoreira, onde transpusemos o rio Zêzere para a margem esquerda.

De Vale da Amoreira até ao Fragusto, mais 8 Km em pendente ascendente, extremamente transpirantes, recompensados pelo excelente reforço que nos foi proporcionado pela CR BIKESTUDIO com a prestimosa colaboração do Ricardo Ramos e da Cátia.

Até ao Gorgulhão foi um instante.

Antes de alcançarmos a Cruz das Jugadas passagem pela Mata de S. Lourenço, onde imperam as faias, que no pico do Verão oferecem frondosa sombra mas que nesta época do ano estão pejadas de uma cama de folhas que lhe conferem um tom "marron" simplesmente delicioso.

A Pousada de S. Lourenço só foi alcançada com a muita colaboração das redutoras!.... 

O que também não ficou defraudado foi o nosso apetite, aguçado com a perspectiva de saborear as famosas "sandochas" da D. Judite, no Ti Branquinho.

Como o tempo escasseava já não fomos ao Vale do Rossim. Não ficou esquecido!

Alucinante a descida desde as Penhas Douradas até Manteigas, pela Carvalheira (calçada romana).

Seriam 4,00 horas da tarde quando retornámos ao ponto da partida, em Manteigas, junto ao recém construido Centro de BTT.

Era tempo de voltar a casa.

Um agradecimento muito especial ao Rogério Cunha, fiel companheiro das longas subidas, pela soberba paciência que sempre exibiu para comigo. Não fora ele e seriam ainda mais penosas.

Como diz o slogan: Só eu sei porque não fico em casa!
Grande dia de BTT e de companheirismo, do puro.

Algumas fotos:




















































NOTA: Podem visualizar ou descarregar o TRACK do percurso aqui



segunda-feira, 16 de novembro de 2015

II MARATONA TERRA DO FERRO – TORRE DE MONCORVO


Dia 8 de Novembro foi dia de rumar até Torre de Moncorvo onde me foi dada a oportunidade de participar nesta 2.ª edição da maratona de Torre de Moncorvo
Pelo 2.º ano consecutivo a Autarquia promoveu e organizou este evento, direccionado a amantes de bicicleta todo o terreno (BTT).
Este ano o promotor disponibilizou dois percursos: A Maratona, com cerca de 60 Km, para os mais bem preparados e a meia maratona, com cerca de 40 km, para os mais jovens e menos bem preparados.
A oferta para este dia 8 de Novembro era muita e variada mas mesmo assim ainda compareceram à partida cerca de 80 praticantes da modalidade. Destaque para o numeroso grupo que veio do Mogadouro, Bragança, Macedo de Cavaleiros e de Salamanca, cujos elementos saíram daqui completamente rendidos a esta gente transmontana que tão bem os soube receber. A eles e a todos os restantes!
O dia, apesar de amanhecer com nevoeiro, viria apresentar-se solarengo, com temperaturas a rondar os 20 .ºC, óptimo para a pratica de modalidade.

A exemplo do que já sucedera no ano passado os participantes foram brindados com trilhos de excelência.

A soberba paisagem criada pela recém construída albufeira do Sabor não deixou ninguém indiferente e já na parte final, aquando da passagem pela Serra do Reborêdo, a todos foi oferecida visão privilegiada sobre Torre de Moncorvo. Não esquecendo a passagem pelas frondosas e cuidadas matas de carvalho mediterrânico, castanheiro e pinheiro nórdico da mata, integradas na PR1 TMC (Rota do Lobo) e PR2 TMC (Rota do Corso) e que exibiam os tons quentes tão característicos do Outono.

Tendo a grande maioria dos participantes optado pelo percurso longo que viria, no entanto, a apresentar-se bem durinho, com um acumulado de subida a rondar os 1500 m.

Destaque, ainda, para o laudo reforço com que fomos brindados em Souto da Velha, um autêntico banquete.

No final o tradicional almoço convívio onde foram entregues lembranças a alguns dos intervenientes, de que destacaria um presunto p/ o grupo mais numeroso.


Algumas imagens deste aprazível passeio:











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Gráfico de Altimetria:

















Podem visualizar ou descarregar o TRACK do percurso AQUI